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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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REPRESSÃO

São Paulo tem uma câmera para cada 16 pessoas

Conselho de Redação

31/08/2009

O número de câmeras na cidade de São Paulo atingiu o assustador índice de uma para cada 16 habitantes, totalizando 600.000 câmeras espalhadas pela cidade. Os dados são da Abese, a associação das empresas de segurança eletrônica. Há dez anos, totalizavam 50.000.

"No momento em que sai de casa, todo mundo já passa a ser gravado. Tudo é possível de ser monitorado", disse à Folha de São Paulo Selma Migliori, presidente da Abese.

Em nome de uma suposta “segurança pública”, a prefeitura da cidade de São Paulo investe cada vez mais em câmeras. O mais novo investimento será nos “relógios inteligentes”. Trata-se da substituição dos atuais relógios-termômetros que estão espalhados pela cidade por relógios mais modernos e equipados, cuja principal aquisição serão as câmeras.

Segundo dados do governo, os atuais 330 relógios espalhados serão trocados por 1.000 “relógios inteligentes”com câmeras. Destes, sabe-se que 200 terão câmeras com tecnologia de ponta, capazes de registrar até quatro quilômetros de distância. As câmeras serão dotadas de um “zoom óptico” capaz de distinguir detalhes de pessoas ou ainda, por incrível que pareça, ler uma mensagem contida na tela de um aparelho celular.

As informações serão monitoradas pela Polícia Militar, pela Guarda Civil Metropolitana e pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Governo inglês instalará câmeras de vigilância em 20.000 casas

O governo do Partido Trabalhista inglês gastará cerca de R$ 1,5 bilhão (£400 milhões) para implementar câmeras de vigilância em 20.000 residências nos próximos dois anos. O projeto do governo, já em sua fase de teste em 2.000 casas, visa vigiar por 24h famílias “problemáticas, com comportamento ´anti-social´”.

Tais famílias, segundo o governo, são aquelas que apresentam casos de alcoolismo, uso de drogas, comportamento violento das crianças e falta de participação destas nas aulas e matérias da escola. Supostamente, o projeto visa prevenir a “criminalidade” em potencial dos jovens membros de tais famílias problemáticas.

No entanto, na verdade, o projeto abre precedente para uma verdadeira prisão domiciliar. Além das câmeras, também prevê guardas de segurança privados que poderão acompanhar as famílias e fazer visitas de rotina.