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–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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Crise da Direção

Por onde andou e anda o PSTU? Partido ainda deposita esperanças no PSOL

Rodrigo Brancher

16/11/2009
Por onde andou e anda o PSTU? Partido ainda deposita esperanças no PSOL

Na última sexta, dia 13.11, o PSTU realizou um ato de lançamento da pré-candidatura de Zé Maria à presidência para as eleições de 2010. Segundo o site do partido, o ato ocorrido em São Paulo, na quadra dos bancários, foi o primeiro de uma série que ocorrerá nas próximas semanas em outras capitais do país.

Conforme foi noticiado inclusive na grande imprensa, o lançamento da pré-candidatura de Zé Maria é uma resposta do PSTU ao avanço da direção do PSOL no apoio à candidatura de Marina Silva do PV, o que significaria deixar para trás, definitivamente, a chamada “Frente de Esquerda”. Com o ato, conforme declaração do próprio Zé Maria, o PSTU estaria tentando, mais uma vez, “empurrar” o PSOL para a esquerda, procurando fazê-lo dar um passo atrás para voltarem a considerar a reedição da “Frente de Esquerda” para as próximas eleições presidenciais.

No entanto, apesar da decisão definitiva ter ficado apenas para março de 2010, dia após dia o PSOL avança em sentido totalmente oposto, com declarações bastante enfáticas de importantes figuras do partido, como Ivan Valente e mesmo Heloísa Helena, que afirmam que a possibilidade de uma candidatura própria do PSOL está cada vez mais distante. O PSOL caminha, assim, para uma aliança com um partido que é comando pelo filho de José Sarney e que, comenta-se, muito provavelmente terá como candidato à vice-presidência ninguém menos que Guilherme Leal, presidente da maior fabricante de cosméticos do país –a Natura.

Vemos, portanto, que o PSTU tem sido cada vez mais pressionado a lançar uma candidatura própria, o que provavelmente ocorrerá, mas ainda assim o partido vacila, como vacilou ao longo dos últimos 4 anos, sempre com a mesma política, sempre cometendo os mesmos erros.

A FORMAÇÃO DA “FRENTE DE ESQUERDA” EM 2006

Nas eleições de 2006, após os escândalos do mensalão e as sucessivas denúncias de corrupção envolvendo o alto escalão do governo Lula, o Partido dos Trabalhadores já estava completamente liquidado como partido de esquerda. Havia, portanto, um enorme vazio na esquerda, que poderia ser ocupado por um programa que realmente defendesse os interesses dos trabalhadores e da juventude.

No entanto, ao invés de lançar uma candidatura própria que procurasse ocupar esse vazio, o PSTU caminhou em sentido justamente contrário. Dizendo ser necessário combater uma suposta falsa polarização entre PT e PSDB, o partido optou por construir a “Frente de Esquerda”, acreditando que poderia, nesse processo, pressionar o PSOL, o partido da Heloísa Helena “trotskista”-cristã, para posições “mais à esquerda”.

Já na época, no entanto, essa posição aparecia como um erro político gravíssimo. Sobretudo porque ela significava depositar esperanças em um partido que desde a sua origem mostrava-se como completamente pantanoso e sem princípios, que só poderia evoluir para posições cada vez mais conciliadoras, cada vez mais à direita.

Foi nesse exato sentido que nós, do MNN, lançamos na ocasião uma campanha pública que questionava o PSTU sobre os destinos de sua política. Em nossos cartazes perguntávamos: “Para onde vai o PSTU? Para o pântano do centrismo? Para o pântano da Frente Popular?” E afirmávamos em seguida: o PSTU está caminhando “para o pântano do PSOL!”.

Não demorou muito para que essas previsões se confirmassem amplamente. No próprio processo de formação da "Frente de Esquerda" o PSTU foi, passo a passo, perdendo importância no interior da própria frente. Primeiro foi a vice-presidência, entregue a Cesar Benjamin em detrimento de Zé Maria, depois foram as declarações unilaterais de Heloísa à imprensa, os programas na TV completamente conciliadores e, na realidade, toda a campanha, repleta de defesas duvidosas, deixaram absolutamente claro que o PSOL e, portanto, a própria “Frente” não poderia evoluir em outra direção senão à direita.

O próprio PSTU, no balanço do processo eleitoral, foi obrigado a reconhecer o absurdo das posições defendidas por Heloísa Helena e seu vice, dizendo que estes haviam cometido diversos “erros”, mas que –incrivelmente!– ainda assim a “Frente” havia sido positiva “por ter permitido que uma alternativa de esquerda se apresentasse, de forma unitária entre PSOL, PSTU e PCB, contra Lula e Alckmin” (site do PSTU, 7/10/2006). Se nesse processo houve alguma unidade, ela certamente não foi de esquerda.

AINDA EM 2006, O PSOL VOTA PELA RETIRADA DE DIREITOS

Mas se as posições defendidas pelo PSOL durante as eleições em 2006 ainda deixavam alguma dúvida sobre em que direção evoluiria o partido de Heloísa Helena, em dezembro do mesmo ano, no apagar das luzes, um integrante da executiva nacional do partido e fundador da legenda, o deputado federal Babá, votou a favor do Super Simples na câmara, ajudando a aprovar um projeto do governo federal que, entre outras coisas, instituía o corte de uma série de direitos trabalhistas para os empregados em micro e pequenas empresas.

Enquanto isso, o PSTU denunciava mais esse ataque de Lula aos trabalhadores, organizando seminários de “luta” pela defesa dos direitos trabalhistas, contra o projeto do Super Simples. No entanto, entre os convidados para falar em um dos seminários estava ninguém menos que o próprio Babá, que havia votado a favor do projeto!

Para continuar sustentando a farsa do acerto da “Frente”, o PSTU mais uma vez fechou os olhos e silenciou sobre mais esse claro sinal de avanço à direita do PSOL.

EM 2008, PSOL ACEITA FINANCIAMENTO DA GERDAU

No entanto, como se tudo isso ainda não fosse suficiente para o PSTU abandonar de vez a aliança centrista com o PSOL, nas eleições municipais de 2008 foi reeditada a dita “Frente de Esquerda”. Com seus candidatos compondo chapas em diversos estados do país, PSTU, PSOL e PCB saíram de braços dados, alardeando o grande acerto da aliança firmada desde 2006.

Porém, o processo eleitoral de 2008 não deixou qualquer dúvida sobre o caráter de colaboração de classes desenvolvido pelo PSOL. Durante a campanha à prefeitura de Porto Alegre-RS, a executiva municipal do partido aceitou a doação de R$ 100 mil reais ao comitê de Luciana Genro, então deputada estadual pelo PSOL. Quem era o doador? Ninguém menos que uma das maiores empresas produtoras de aço do mundo, a Gerdau. A doação causou uma polêmica enorme que ganhou inclusive espaço considerável na grande imprensa, mas ainda assim não foi suficiente para que o PSTU rompesse as alianças mantidas com o PSOL em diversos outros estados do país. Novamente, apesar das denúncias e dos protestos, na prática o PSTU se rendeu à capitulação e, mais uma vez, conciliou.

PARA 2010, PSTU CONVOCA NOVAMENTE A “FRENTE”. SERÁ POSSÍVEL AINDA TER ESPERANÇAS?

Todas as notícias veiculadas na imprensa durante as últimas semanas apenas expõem mais e mais o caráter pantanoso e conciliador do PSOL, visível desde a sua fundação.

No entanto, o que mais surpreende é ver que mesmo após tudo isso o PSTU ainda considera a possibilidade de uma nova reedição da “Frente”! Nas palavras do próprio Zé Maria, presidente nacional do PSTU, em entrevista à Folha de São Paulo: “Nós estamos lançando neste mês uma pré-candidatura à Presidência da República, ainda para defender a possibilidade de uma frente de esquerda. Mas, caso não haja essa possibilidade, o PSTU terá uma candidatura própria no ano que vem”.

Não terá sido ainda suficiente? Será possível ainda, após tantas e tão evidentes demonstrações de que o PSOL, desde sua fundação, avançou apenas à direita, à direita e à direita, considerar esse partido ainda como “de esquerda”, como socialista?! Pensamos que não!

ABAIXO O OPORTUNISMO E AS ALIANÇAS SEM PRINCÍPIOS!
CONSTRUIR UM NOVO PARTIDO!
CONSTRUIR UMA NOVA DIREÇÃO!