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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS BRASIL VER CAPA DA EDIÇÃO #87

RIO GRANDE DO SUL

Crise continua provocando demissões no setor de calçados

Conselho de Redação

06/12/2009

O Brasil é o terceiro produtor mundial de calçados – superado apenas pela Índia e pela China – e o quinto maior exportador mundial, com 165,5 milhões de pares comercializados no ano passado, perdendo apenas para a Itália (200 milhões), Vietnã (500 milhões), Hong Kong (700 milhões) e China (7 bilhões).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o maior pólo calçadista de todo o mundo está no Rio Grande do Sul, numa região conhecida como Vale dos Sinos, formada por 14 municípios localizados num raio de até 100 km de Porto Alegre. O estado é o maior produtor do país. Em 2007, havia 2.755 empresas calçadistas no Estado (35,2% do país), que empregavam 111.966 trabalhadores (37% do setor no Brasil).

Mas, a partir de 2008 as exportações de calçados entraram em queda livre. Em 2008 foi registrada uma queda de 6,4%, passando de 177 milhões de pares para 165,7 milhões. Em 2009 a queda nas exportações continuou. A quantidade de pares exportados pelo Brasil, que no primeiro quadrimestre de 2008 era de 67,4 milhões, caiu para 49,5 milhões no mesmo período de 2009, uma queda de 26,5%. Contrariando as posições otimistas do governo Lula, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso, considera o ano de 2009 como um “buraco negro”.

Essa difícil situação, agravada pela crise econômica mundial que começou a se manifestar em 2008, já vinha ocorrendo há mais tempo no setor calçadista devido à concorrência do grande capital que se deslocou para a China nas últimas décadas, com o objetivo de explorar em altíssimo grau a força de trabalho do operariado chinês, conseguindo assim produzir calçados a custos bem mais baixos do que o custo dos calçados brasileiros.

Assim, a concorrência com o grande capital instalado na China e a crise econômica mundial tem provocado demissões em massa nas indústrias de calçados brasileiras desde 2007. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ocorreram 18.950 demissões naquele ano e 10.300 em 2008. Em 2009 a situação se agravou: somente nos oito primeiros meses do ano, já haviam sido contabilizadas 13.400 demissões no estado. Ao todo, em apenas três anos, cerca de 38% dos trabalhadores do setor calçadista gaúcho (42.000 de um total de 111.000) perderam seus empregos.

Diante dessa situação, na qual os trabalhadores são forçados a pagar, por meio da degradação de suas vidas, as conseqüências das contradições da sociedade capitalista, a sua única saída, mais do que nunca, é lutar para garantir o mínimo, lutar para garantir a manutenção de suas condições de vida por meio da conservação dos seus empregos e dos seus salários.