A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) é uma gigantesca companhia siderúrgica que deve começar as suas operações no Estado do Rio de Janeiro ainda em 2010. Seu principal acionista, com cerca de 90% do capital da empresa, é a ThyssenKrupp, a maior siderúrgica alemã. Somente o investimento desse grupo é calculado agora em 7,39 bilhões de dólares. Este projeto vincula-se com outro do mesmo grupo no Estado do Alabama nos EUA, que receberá placas de aço da CSA brasileira.
Participam nos outros 10% do projeto diversas empresas, entre elas a Vale do Rio Doce e uma companhia da China que importará cerca de 600 trabalhadores chineses a serem treinados na Alemanha. O projeto conta também com a participação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RJ) de Paciência e Benfica, que vão treinar cerca de 1.500 trabalhadores. Participam ainda em áreas complementares do projeto a Alstom, encarregada da energia e transporte, assim como a Andrade Gutierrez e a Carioca Engenharia envolvidas na construção do porto.
Como se sabe, o setor siderúrgico é estratégico, controlado pelo grande capital internacional. Além de ser uma indústria de base, da qual depende toda a infraestrutura industrial de um país, o setor siderúrgico ainda, em geral, está entrelaçado com a indústria bélica, envolvendo também relações políticas fundamentais. No caso da história desse grupo não é diferente.
O ThyssenKrupp é a unificação de dois grupos alemães, a família Thyssen e aquela dos Krupp, que possuem um passado repleto de relações nebulosas durante o século XX, envolvendo o financiamento do partido Nazista de Hitler, assim como a indústria bélica alemã durante a I e II Guerras Mundiais.
Fritz Thyssen financiou inicialmente o NSDPA (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei). Depois, devido ao pacto de Hitler com a URSS, tentou romper com Hitler, mas, para isso teve que fugir para a França, sendo preso durante a ocupação nazista pelo governo de Vichy, assim mesmo, foi julgado no tribunal de Nuremberg, devido ao seu comprometimento com o governo nazista.
Já a história da vinculação dos Krupp com a indústria bélica alemã remonta ao século XIX, desde as guerras da Prússia com Áustria e França. No século XX, Alfred Krupp desenvolveu mais ainda essas práticas, fabricando canhões e marinha bélica durante a I Guerra Mundial. Com a derrota da Alemanha, os aliados proibiram o funcionamento das fábricas bélicas dos Krupp. Mas, durante o governo de Hitler, voltaram a essas atividades. Sua filha Bertha, casou-se com o barão Gustav von Bohlen, um dos principais apoiadores diretos de Hitler. Um membro mais jovem da família, também nomeado Alfred, ao fim da II Guerra, foi condenado a 12 anos de prisão e a companhia foi confiscada. Logo, porém, em 1953, veio a anistia e posteriormente a constituição do grupo siderúrgico ThyssenKrupp, hoje realizando esse mega investimento no Brasil.
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