A crise política do Distrito Federal não atinge somente o governador Roberto Arruda e o seu ex-partido, o DEM (Democratas). Desde o fim do ano passado, quando vieram à público as gravações em que Arruda recebia pessoalmente 50 mil R$ e assessores e deputados ligados ao governador também foram apanhados recebendo maços de dinheiro, a grande maioria dos partidos da situação e da oposição reagiram de forma idêntica: reprovaram o ato de corrupção, mas não foram muito além disso. Não fosse a intervenção do Ministério Público exigindo a prisão de Arruda, era bem provável que este escândalo fosse enterrado como tantos outros desde o mensalão petista em 2005.
A causa desse desinteresse político pela condenação de Arruda é simples: há fortes evidências de que o esquema de corrupção vinha de antes do governo Arruda e envolvia diversos partidos. Durval Barbosa, o ex-secretário que aceitou gravar as cenas de distribuição de propina (em acordo de delação premiada com a PF) vinha do governo anterior de Joaquim Roriz, adversário político de Arruda. Talvez por isso, Roriz, que iria disputar a eleição deste ano contra Arruda pelo governo do DF, preferiu silenciar sobre o caso.
Outro que preferiu discrição foi Cristóvão Buarque do PDT. Parecendo querer deixar claro que não tinha nada a ver com o escândalo logo declarou que não tiraria proveito político da situação e que seu objetivo era candidatar-se ao Senado. Mais enigmático, sem dúvida, é a posição do petista Agnelo Queiroz, outro adversário de Arruda na disputa pelo governo do estado em 2010. Agnelo, ex-deputado que se envolveu no escândalo das passagens aéreas, reconheceu que assistiu a três vídeos em que Arruda recebia propina, meses antes deles serem divulgados pela imprensa.
O desinteresse pela apuração do caso, colocou em discussão uma possível intervenção no DF. A nomeação de um interventor, recurso não usado desde a ditadura, teria um impacto simbólico significativo – atestando a falência da "democracia brasileira”- além de poder, através de um aprofundamento das investigações, trazer à tona novos lances do esquema de corrupção de Arruda, atingindo políticos de vários partidos.
Não por acaso, o vice-governador Paulo Octávio recuou, na última hora, no seu pedido de renúncia, numa operação talvez sugerida pelo próprio Lula, afastando, ainda que temporariamente, o fantasma da intervenção. Por enquanto, o que todos os partidos querem, é que Arruda mantenha a discrição, até que mais este escândalo desapareça ou então até que um novo escândalo maior assuma o papel principal.
Participe da construção de um futuro possível, participe dos Comitês do MNN!
Se você quer conhecer o MNN, participe de um dos nossos comitês! Basta chegar no horário e local marcado, se apresentar e partcipar da reunião, colaborando na medida das suas possibilidades e interesse.
Entre em contato, comente uma notícia, se informe sobre as atividades, envie uma denúncia, solicite materiais: fale com o MNN!