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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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CARTEIROS

Correios: mais uma vez o fantasma da quebra do monopólio

Conselho de Redação

15/06/2009

Durante os últimos anos, o fantasma da “quebra do monopólio postal” ou da "privatização dos Correios” ronda os trabalhadores dos Correios, sempre que se aproxima a data-base da categoria. Nessa época sindicalistas e chefetas se unem para uma ação conjunta pela manutenção do caráter estatal dos Correios.

Neste ano não é diferente. Diversas centrais sindicais (CUT, Conlutas, Intersindical, UGT etc.) criaram uma frente com a empresa e parlamentares. Os Assessores de Relação do Trabalho e Sindical da ECT (ASGET) – aqueles que se recusam a atender as reivindicações dos trabalhadores durante as negociações salariais com os sindicalistas – são considerados agora, abertamente, “companheiros de luta” contra a quebra do monopólio.

Será que esta “luta” ao lado daqueles que sempre exploraram e oprimiram os trabalhadores dos Correios é realmente uma luta legítima? Será que a manutenção do monopólio dos Correios é realmente uma reivindicação dos trabalhadores?

Acima de tudo, o interesse básico de todo e qualquer trabalhador é a manutenção do seu emprego e do seu salário. Estas condições não estão garantidas, de forma alguma, pela mera manutenção do monopólio dos Correios. Ao contrário, ao longo da história da empresa, o valor real do salário foi sendo corroído a cada ano. Não há porque lutar junto com quem nos explora para defender os seus interesses. Se fosse assim, teríamos que admitir que a única coisa que resta para os trabalhadores é escolher qual dos patrões (Estado ou empresa privada) irá explorá-los.

É evidente que esta suposta luta ao lado dos representantes da empresa pela manutenção do monopólio não é o melhor caminho para os trabalhadores dos Correios. Afinal, as lutas salariais têm mostrado, ano após ano, que os interesses dos trabalhadores e da empresa são extremamente antagônicos. Enquanto os trabalhadores querem manter uma vida digna, conservando seus empregos e seus salários, os representantes da empresa os forçam a trabalhar cada vez mais por um salário cada vez menor.

A luta legítima dos trabalhadores dos Correios é aquela baseada na manutenção dos seus empregos e salários, independente do caráter estatal ou privado da empresa, por meio da ESCALA MÓVEL DE HORAS DE TRABALHO, ou seja, da divisão do trabalho existente entre os trabalhadores existentes e da ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS, ou seja, do reajuste mensal dos salários de acordo com a inflação. Com estas reivindicações não há conciliação possível entre trabalhadores e patrões, não há conciliação possível entre trabalhadores e chefetas, que aparecem como supostos aliados numa falsa luta pela defesa do monopólio postal.