Os Correios tiveram sempre uma imagem muito positiva entre a população. Os Correios sempre apareceram como uma empresa estatal eficiente que presta serviços de alta qualidade à população mais pobre.
O que a maioria das pessoas não sabe é que enquanto os pequenos clientes pagam R$ 1,05 para enviar uma carta simples, os grandes clientes conseguem (por meio de um expediente denominado FAC - o franqueamento autorizado pelos Correios) pagar em média apenas R$ 0,10 por cada carta simples em todo território nacional.
As grandes empresas são as maiores beneficiárias dos serviços dos Correios. No entanto, isso não é suficiente para afetar a boa imagem dos Correios entre a população. Esta imagem positiva da ECT somente foi manchada depois da gravação divulgada em 2005, que mostrava a corrupção de um funcionário da empresa, gravação esta que deu origem à CPI dos Correios. Esta CPI mostrou que havia um verdadeiro loteamento político da empresa entre a base aliada do governo Lula e trouxe à tona a existência de um desvio de verbas na ECT de cerca de 7 bilhões de reais, envolvendo vários dirigentes do Partido dos Trabalhadores.
Somente a extrema exploração dos trabalhadores pode explicar o chamado “milagre dos Correios”. É essa super-exploração da classe trabalhadora que cobre os rombos, subsidia os grandes clientes, remunera os diretores com seus altos salários, sustenta a burocracia sindical e ainda assim gera lucros que são repassados ao Governo Federal.
Se depender daqueles que se beneficiam dela, a super-exploração dos trabalhadores continuará aumentando dia a dia. Seu crescimento se dá por meio do rebaixamento dos salários e do aumento da carga de trabalho. Neste sentido, a luta central dos trabalhadores dos Correios não pode ser a defesa de uma empresa utilizada para desviar verbas, enriquecendo os burocratas e os grandes clientes capitalistas. A luta central dos trabalhadores dos Correios deve estar vinculada aos seus interesses reais, e não aos da burocracia estatal que corrói a empresa por dentro. A luta dos trabalhadores dos Correios está ligada à manutenção dos seus salários e dos empregos, e isso só pode ser conquistado por meio das ESCALAS MÓVEIS DE SALÁRIOS E DE HORAS DE TRABALHO, ou seja, o reajuste mensal dos salários de acordo com a inflação e a garantia de que não haverá nenhuma demissão, independente da quebra ou não do monopólio postal.
Caso a direção da empresa alegue que não pode atender estas reivindicações, os trabalhadores devem exigir a QUEBRA DO SEGREDO COMERCIAL DA EMPRESA, ou seja, a abertura dos livros de contabilidadepara que seja provado definitivamente que, sem a corrupção, sem os sanguessugas instalados no poder, é possível garantir a manutenção de uma vida digna a todos os trabalhadores.
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