As direções dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios estão se mostrando incapazes de mobilizar os trabalhadores durante essa campanha salarial. Em São Paulo, a assembléia realizada no dia 06 de agosto teve um quorum muito inferior às campanhas anteriores. A direção do sindicato tentou justificar a baixa presença de trabalhadores na ausência de um meio de transporte patrocinado pelo sindicato para trazê-los à assembléia. Segundo o sindicato, a Lei Kassab, que proíbe o fluxo de veículos fretados no centro de São Paulo, impossibilitou a contratação das vans para o transporte dos trabalhadores.
No entanto, ao conversar com os trabalhadores percebe-se que a ausência de grande parte da categoria na assembléia tem razões muito mais profundas. A maioria dos trabalhadores está revoltada com a atual direção do sindicato devido à implantação de um banco de horas no último Acordo Coletivo. O Acordo impôs a reposição de todas as horas não trabalhadas durante a greve.
Nas greves anteriores, bastava colocar o serviço em dia, independente das horas que isso exigisse, para saldar o trabalho não realizado durante a greve. Naquela época, em poucos dias os trabalhadores conseguiam repor o trabalho acumulado durante a greve. Mas no último Acordo Coletivo, instituiu-se a obrigatoriedade de repor todas as horas não trabalhadas. Assim, muitos trabalhadores estão sendo obrigados a trabalhar uma quantidade enorme de horas extras sem receber qualquer pagamento.
Diante disso muitos trabalhadores afirmam: “Com essa direção do sindicato eu não faço mais greve nem vou às assembléias”. Portanto, há indicações de que a falta de transporte não é a causa determinante da reduzida presença dos trabalhadores na assembléia. A reduzida participação parece ser um sinal da profunda desmoralização e descrédito da atual direção do sindicato, que traiu a confiança dos trabalhadores ao assinar um acordo extremamente prejudicial.
O problema é que os trabalhadores são os principais prejudicados com essa crise da atual direção do sindicato, pois a direção dos Correios aproveita a situação e prepara duros ataques aos trabalhadores. Um deles é o estabelecimento de um valor fixo para o Adicional de Risco, que atualmente é de 30% do salário. Caso seja instituído o valor fixo, o Adicional não acompanhará mais os reajustes salariais, o que ocasionará sua imediata defasagem. A fragilidade da atual direção do sindicato é tamanha que a empresa nem sequer reconhece sua representatividade e procura instituir a nova forma do Adicional pressionando os trabalhadores a assinar individualmente o documento.
Os trabalhadores têm denunciado que estão sendo pressionados pelos chefes a assinar e aceitar o novo Adicional. É evidente que isolados os trabalhadores não têm força. A força dos trabalhadores está em sua união. Somente unidos e lutando como classe os trabalhadores serão capazes de se defender. No entanto, esta direção do sindicato, composta pelo PCdoB, somada à passividade e cumplicidade da dita oposição sindical (PT, PSTU e PSol) está minando a força dos trabalhadores dos Correios.
Outro ataque da empresa é a proposta de aumentar prazo dos Acordos Coletivos de um para dois anos. Essa proposta tem a clara intenção de desmobilizar os trabalhadores e, sobretudo, evitar uma possível greve em 2010, ano da eleição que definirá o sucessor de Lula. Uma greve nos Correios seria extremamente prejudicial ao candidato apoiado por Lula. O PT e a CUT, que sabem muito bem todas as maneiras de bloquear a mobilização dos trabalhadores, já estão procurando amortecer a importante categoria dos trabalhadores dos Correios.
Os trabalhadores dos Correios encontram-se num impasse. Diante dos ataques da empresa e do governo aos seus mínimos direitos, enfrentam a crise da sua direção, que parece atuar contra a própria categoria. Essa situação somente poderá ser superada através da construção de uma nova direção composta pelos próprios trabalhadores de base.
A campanha salarial é um importante momento para a construção de uma nova direção. Nas assembléias e nos locais de trabalho, os trabalhadores devem pressionar a atual direção do sindicato a exigir que a empresa garanta o mínimo, garanta a manutenção do emprego e do salário de todos os trabalhadores.
Não aceitamos qualquer perda salarial. Exigimos a ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS!
O reajuste dos salários será mensal, com um índice móvel que variará de acordo como a inflação. Assim conseguiremos pelo menos manter o valor dos nossos salários nos níveis atuais.
Além disso, exigimos a ESCALA MÓVEL DE HORAS DE TRABALHO! Exigimos, independente de qualquer mudança que possa ocorrer na empresa, que o emprego de todos os trabalhadores esteja assegurado. Caso a demanda de trabalho diminua, seja pela quebra do monopólio ou por qualquer outro motivo, a jornada de trabalho será reduzida para garantir o emprego de todos.
Tanto o salário quanto a jornada serão móveis com o objetivo de garantir a manutenção das atuais condições de vida.
ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS!
ESCALA MÓVEL DE HORAS DE TRABALHO!
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