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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS CONTRAMÃO VER CAPA DA EDIÇÃO #76

CARTEIROS

Em Campo Grande (MS): sindicato dos Trabalhadores dos Correios frauda votação para acabar com a greve

Conselho de Redação

22/09/2009

Dia 21 ocorreu em frente à sede central dos Correios de Campo Grande – MS, assembléia para aprovar ou não a proposta de acordo que estabelecia um reajuste de 9% nos salários, válido por dois anos.

Às 16h começou a assembléia. Sebastião Xavier, presidente do sindicato filiado a CUT, começou falando que a greve já tinha sido uma conquista, pois a categoria conseguiu o aumento de 4,5% para 9%. Portanto, como afirmou Lula é preciso saber a hora de acabar com a greve. Mas, enquanto o sindicalista falava, os trabalhadores já se manifestavam contrários ao fim da paralisação, alguns gritavam: “Pelego”, “Você tem que defender a gente e não a empresa e o governo Lula”.

O sindicalista continuou afirmando que o acordo não significa que o ano que vem não haverá luta e que será possível reivindicar melhorias mesmo diante desse acordo. Mas, enquanto o sindicalista falava, outro carteiro disse: “Vocês nunca defenderam a gente, porque vão fazer isso agora?”

Em seguida, Ederlon Correa, falou em nome da base dos carteiros e defendeu a manutenção da greve. Em sua fala, Ederlon criticou a proposta do acordo, enfatizando que a maior resistência dos carteiros é em aceitar a validade do acordo por dois anos. O carteiro ainda afirmou que isso não passa de uma manobra política, já que o ano que vem é ano eleitoral.

Outros carteiros da base desejavam se pronunciar, mas os sindicalistas não queriam abrir o microfone para mais ninguém da base. Ainda assim, outro carteiro, Vanderlei Carvalho, tomou o microfone e começou a discursar, defendendo a manutenção da greve.

A votação então foi iniciada com duas alternativas: aceitação da proposta da empresa e fim da greve ou rejeição da proposta e manutenção da greve. O sindicato contou primeiro os votos daqueles que aceitavam o acordo, totalizando 51 votos. Em seguida, ocorreu a contagem daqueles que rejeitavam o acordo e queriam a manutenção da greve. Foi nesse momento que a fraude ocorreu. O sindicalista foi contando os votos, mas quando chegou em 49, parou de contar e afirmou que a proposta havia sido aceita e a greve havia acabado. No entanto, pelo menos 6 votos deixaram de ser contados pelos pelegos. Rapidamente, os sindicalistas desligaram o som e afirmaram que a assembléia havia sido encerrada.

A revolta foi geral! Muitos carteiros partiram para cima dos sindicalistas acusando-os de fraude, afirmando que alguns votos não foram contados. Alguns carteiros gritavam: “Eu não fui contado, eu não fui contado!” Diante de tal armação, a base não se conteve e muito indignada com a direção do sindicato começaram a gritar: “Pelegos!”, “A greve continua!”, “Traidores!” etc.

Muito revoltados, os carteiros exigiam a recontagem dos votos, mas os pelegos se negavam. Por conta própria, os carteiros fizeram uma fila indiana e contaram novamente os votos daqueles que recusavam a proposta e exigiam a continuidade da greve. Foram contados 55 votos. Era a prova de que a votação realmente havia sido fraudada. Os sindicalistas que deveriam defender os interesses da classe trabalhadora foram exatamente contra ela, e encerraram arbitrariamente a greve.

Conforme afirmou a trabalhadora Jovely de Lima ao jornal Capital News, de Campo Grande, indignada com a traição e fraude orquestrada pelo sindicato: “Esse é um sindicato traidor e pelego. A base não queria o fim da greve. Isso não se faz. O que se vê aqui é uma vergonha. É muita falta de caráter. Como que se faz uma assembléia e não se aceita a vontade da maioria?”