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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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Greve nos Correios é traída por direções sindicais aliadas à Lula

Conselho de Redação

04/10/2009
Greve nos Correios é traída por direções sindicais aliadas à Lula

Na última sexta-feira (02/10), terminou a greve nacional dos trabalhadores dos Correios de maneira extremamente conturbada. Apesar dos trabalhadores estarem convictos de que a proposta da empresa era inaceitável, pois impunha a prorrogação do acordo coletivo para dois anos, a greve foi minada pelas direções sindicais ligadas ao presidente Lula. Com o acordo bianual não haverá data-base para negociação salarial em 2010, o que é extremamente perigoso, considerando a possibilidade de uma escalada inflacionária no próximo período.

Para sufocar o espírito de luta dos trabalhadores dos Correios e impor o acordo bianual, foi necessária a ação conjunta da direção da empresa, das direções de vários sindicatos estaduais e de ninguém menos do que o próprio presidente Lula. Depois que Lula interveio publicamente chamando os sindicalistas de “covardes por não terem coragem de acabar com a greve”, as direções sindicais de vários estados passaram a mostrar sua “coragem” de trair os trabalhadores.

Em São Paulo, a vitória da proposta de fim da greve foi “confirmada” por contraste, o que é bastante duvidoso, uma vez que a votação foi bastante apertada, sendo mais provável que a maioria tenha votado na continuidade da greve. Não é por acaso que os trabalhadores gritavam “Safados! Safados!” para os sindicalistas, que foram obrigados a sair às pressas do local da assembléia.

Em Campo Grande (MS), também houve confronto. Lá a fraude foi igualmente explícita. Após terem contado 51 votos contra a continuidade da greve, os sindicalistas terminaram arbitrariamente a contagem dos votos favoráveis quando atingiram o número 49. Vários carteiros denunciaram que seus votos não haviam sido contados. Ao contarem espontaneamente os votos confirmou-se a continuidade da greve, com 55 votos a favor. No entanto, a direção do sindicato não aceitou a segunda contagem e decretou o fim da greve.

Segundo o site da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares), a assembléia no CTCE-Cuiabá, em Mato Grosso, realizada no dia 30/09, também foi fraudada, sendo “comandada diretamente pela direção da empresa”, não tendo assim qualquer legitimidade para deliberar o final da greve, como foi feito pelos supostos dirigentes.

O enorme esforço em aprovar o acordo bianual por parte de Lula e dos sindicatos a ele ligados deve-se às eleições presidenciais de 2010. Para facilitar a eleição de seu sucessor, eles impuseram de maneira totalmente arbitrária o acordo bianual aos trabalhadores dos Correios. Além disso, Lula queria o fim imediato da greve nos Correios para que ela não viesse a coincidir com a greve dos bancários, outra importante categoria com abrangência nacional, na qual Lula é o patrão direto em várias instituições, como no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal.

O impasse nos Correios estava relacionado à periodicidade do reajuste salarial. Os trabalhadores queriam manter o intervalo de um ano; Lula queria estendê-lo para dois anos. No entanto, a melhor forma de manter o valor dos salários de maneira permanente seria por meio do reajuste mensal dos salários de acordo com o aumento dos preços dos produtos de primeira necessidade consumidos pelos trabalhadores. Os reajustes seriam mensais e móveis, seguindo o aumento dos preços, ou seja, os salários acompanhariam uma ESCALA MÓVEL.