Grupos de teatro, dança, música e outras manifestações ocuparam a Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, durante a 10ª edição da “Satyrianas – Uma Saudação à Primavera”, que reuniu cerca de 300 apresentações em 78 horas ininterruptas, de 30 de outubro a 2 de novembro. A festa também comemorou os 20 anos da Cia. Os Satyros, se complementando ainda com programações voltadas para cinema, HQs, circo, performances, artes plásticas etc.
Um dos fundadores da Cia. Os Satyros, Rodolfo García Vazquez, conta que o projeto, desde o início, era fazer uma homenagem ao teatro e à cidade gratuitamente. “A gente achava que as pessoas tinham que ter direito a assistir os nossos espetáculos pelo menos uma vez por ano de graça ou que pagassem quanto pudessem e quisessem. O que todos os grupos têm em comum aqui na Satyrianas é o grande prazer de fazer arte, independente do dinheiro. Foi começando muito pequena, com umas 50 pessoas só, mas nas últimas duas o público já era de 30 mil pessoas”.
A proposta da festa, no entanto, vai além de uma simples oferta de arte grátis à população. “Não só o teatro, mas as artes em geral, tudo está comercializado, tudo é uma relação de mercadoria. E a gente não queria fazer mercadoria. A gente queria fazer uma festa pra cidade”.
Desde sua fundação em 1989, por Ivam Cabral e Vazquez, Os Satyros já traziam ousadia e radicalidade com um teatro experimental. “O grande projeto nosso não era chocar, mas sim atiçar sensações nas pessoas. Mas acho que todo ser humano quer sair do estado de torpor, parar de pensar com cabeça de comercial de margarina e começar a pensar com a própria cabeça. Pra você fazer essa transição, precisa da provocação”, afirma Vazquez.
Em 2000, quando se instalaram na Praça Roosevelt, começaram a formar um ponto de agitação cultural na região que, até então, era uma das mais perigosas da cidade. A arte foi contaminando o entorno e atraindo cada vez mais pessoas.
“A gente achava que era um lugar muito central em São Paulo e muito abandonado, de fácil acesso pra todas as regiões da cidade. Independente da criminalidade que existia. Continua com problemas, mas é o único lugar do centro de São Paulo onde as pessoas ficam à vontade pra andar na rua”, diz Vazquez.
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