Perplexo com tanta repetição e ausência do novo na cultura contemporânea, o diretor Gerald Thomas declarou que deixará os palcos. Thomas, brasileiro radicado nos EUA, trabalhou com grandes nomes da arte mundial como o dramaturgo irlandês Samuel Beckett, o ator Julian Beck do Living Theater e o músico Philip Glass. Entre suas montagens destaca-se a Trilogia Kafka.
Embora tenha vasto currículo, hoje Thomas se diz cético: "minha vida no palco acabou, tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou".
Segundo Gerald Thomas, atualmente tudo é “encheção de lingüiça”, sucessivas paródias que não têm nada a dizer. "É constrangedor” continua Thomas, “ver o que as pessoas que mais admiro estão fazendo. Repetem-se horrorosamente. Não há nada novo, nem em moda, nem em design, nem em arquitetura”.
As palavras e o ato de Gerald Thomas devem ser ouvidos. Em todos os campos das artes, hoje, a produção cultural repete-se, cada vez mais, em fórmulas gastas e caminhos seguros, financiados ou pelo grande capital ou pelas leis de incentivo estatal. De um modo ou de outro, os artistas estão cada vez mais atrelados ao entertainment ou à propaganda dos governos burgueses.
Por outro lado, a cultura burguesa já não tem mais nenhum projeto “civilizatório", desintegra-se com a mesma intensidade que a sociedade que a gera, o modo de produção capitalista. Hoje, talvez o único caminho para a arte seja a luta revolucionária contrária a este regime em agonia. Todos os demais caminhos, para seguir Thomas, são “encheção de lingüiça” ou o silêncio.
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