Evoeh! Ouro!
Nesse ano tão comemorativo de 2008, gostaria destacar três importantes aniversários: 80 anos do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, 40 anos de Maio de 68 e o aniversário de 50 anos do Teatro Oficina, um grupo que fortemente foi influenciado por Oswald e influência para os acontecimentos de 68.
Em 1958, Dioniso, deus do vinho e teatro, gozou no Largo do São Francisco, através de alguns alunos de Direito, destacando: José Celso Martinez Corrêa (Zé Celso), Renato Borghi e Hammir Haddad, deu se início ao Teatro Oficina.
Na década de 60, o grupo inicia os seus estudos e a devoração das teorias teatrais consagrados internacionalmente, Stanislawski, Brecht, Artaud. Dessa devoração antropofágica culmina em 68 com a peça O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, peça até então considerada por muitos críticos como a impossível de ser montada, essa peça foi a porta-estandarte do movimento tropicalista, cuja bandeira era a unificação estética entre as artes nacionais com as estrangeiras.
Oswald de Andrade através da sua teoria antropofágica deu o alicerce para que o Teatro Oficina não ficasse limitado em seguir uma ou outra linha estética, proporcionou a união das diversas teorias teatrais internacionais com as representações ditas populares de arte nacional. Um exemplo é a peça Os Sertões (2006) onde em alguns momentos se encontrava o dialogo de Nietzsche com Chico Science, ou na última montagem da peça Taniko (2008), onde se misturavam os 100 anos da imigração japonesa com os 50 anos da Bossa Nova.
E através das incorporações artísticas, sociais e intelectuais, o Oficina começou a representar perigo para as elites burguesas, tanto que na encenação da peça dirigida por Zé Celso e escrita por Chico Buarque, Roda Viva (1968), o teatro Ruth Escobar foi invadido pelo CCC (Comando de Caça aos Comunistas), nesse episódio diversos atores foram espancados.
Existindo esse espírito perigoso da arte, a arte permeou todas as manifestações de 68, sendo que na famosa marcha dos 100 mil que unia os estudantes, trabalhadores e os artistas, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Paulo Autran, também se encontravam os atores e os diretores do Oficina.
O ano de 2008 além de ser um ano comemorativo, também representa mais um ano da luta e contradição entre a arte e as ambições capitalistas: de um lado se encontra o Teatro Oficina, cuja estrutura física foi projetada pela celebre arquiteta Lina Bo Bardi, e do outro lado, os projetos empresarias das organizações Silvio Santos.
O ponto de embate é um terreno que se encontra de um lado o teatro o Oficina ( VIDA , PULSÃO, EROS E DIONISO). Estes propõem a construção do Anhangabaú da Feliz Cidade, um lugar onde se encontraria o Teatro Estádio Rebolante e a Universidade Antropófaga, contudo o terreno é do Silvio Santos.
Qual o interesse desse lado? Certamente, MORTE, THANATOS, VAMPIRO DO CAPITAL, cujo interesse é somente especulativo e comercial, pretendendo apenas a construção de mais um shopping de ilusões ou um condomínio/ prisão/ propriedade privada.
Evoeh! A Merda transformada em Ouro!
* No teatro se diz 'merda' para desejar sorte.
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