MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
BUSCA OK
~~!
MNN

“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS EDITORIAL VER CAPA DA EDIÇÃO #104

Crise dos Partidos

A hora da democracia burguesa e da sua farsa eleitoral: “A hora é de paciência, canja de galinha e sangue de barata”

A.N.K.

02/05/2010
A hora da democracia burguesa e da sua farsa eleitoral: “A hora é de paciência, canja de galinha e sangue de barata”

O deputado federal João Pizzolatti, lider do PP (Partido Progressista) na Câmara e membro da coordenação da campanha de Dilma Rousseff, neste 01 de Maio, sem esquecer os trabalhadores, escreveu, de forma hipócrita, no seu twitter: “Nosso abraço especial aos trabalhadores neste dia 1 de maio. Cumprindo agenda no Litoral Norte. Abração a todos!”

Certamente, nenhum trabalhador aceitaria o “abração” de Pizzolatti se conhecesse as suas próprias declarações feitas alguns dias antes. Comentando o momento eleitoral e o assédio do PT e do PSDB ao seu partido, num impulso de sinceridade, afirmou o deputado de maneira grotesca e repugnante: “A hora é de paciência , canja de galinha e sangue de barata”(Estadão, 28/04). E continuando as suas reflexões sobre o processo eleitoral, sustentou que o PP deve ficar em cima do muro, não apoiar nem o PT e nem o PSDB que estão desesperados por aliar-se ao PP. Ainda advertiu Pizzolatti, mais uma vez com espantosa transparência, que o que move todas as legendas é a expectativa de poder.

Mais disfarçado e menos repugnante nas palavras, mas com a mesma estratégia de inseto, afirmou outro deputado do PP, Antônio Cruz (MS), a respeito do assédio de PT e PSDB: "Não morremos de amor por ninguém. Vamos ver o que é melhor para o projeto do partido e isso vale nas parcerias estaduais e para a aliança nacional.” Mas, podemos perguntar: qual o projeto do PP como partido? Evidentemente nenhum, a não ser aquele de uma soma de projetos pessoais de poder visando o enriquecimento dos seus participantes. Confirmam isto a história deste partido e da sua maior liderança, Paulo Maluf, que recentemente foi preso por corrupção, tendo ainda centenas de processos e acusações de contas bancárias no exterior. Lembremos a vergonhosa história do PP.

Originalmente o PP chamava-se ARENA sendo fundado em 1965. A Ditadura Militar instaurara por atos institucionais a dissolução dos partidos existentes e a permissão da existência somente de duas agremiações políticas: uma delas foi a ARENA que dava servil sustentação política à ditatura e outra que fazia o papel de oposição consentida, tratava-se do MDB. Em 1979 permitiu-se novamente o pluripartidarismo e a desgastada ARENA mudou de nome, vindo a assumir o nome de PDS (Partido Democrático Social).

No entanto, em 1984, depois da derrota na Câmara da emenda Dante de Oliveira que restauraria as eleições diretas para presidente, surgiu uma dissidência no PDS, chamada Frente Liberal, que unindo-se ao PMDB, passou a apoiar Tancredo Neves para presidente, contra Paulo Maluf. Como se sabe, Tancredo venceu em janeiro de 1985 a eleição indireta, tendo José Sarney como vice. Ainda em janeiro de 1985, os dissidentes do PDS fundaram o PFL (Partido da Frente Liberal), que mais tarde transformou-se no DEM. Como se vê, assim, os que ficaram no PDS , como Paulo Maluf, representavam os piores elementos da ARENA, que poderiam ser classificados como a ala direita da própria direita “arenista”!

O PDS, após esse processo, não obteve mais grandes vitórias eleitorais, vencendo apenas em prefeituras, como o próprio Paulo Maluf em São Paulo (1992) – sendo esta a mais significativa, e elegendo alguns senadores, assim como, deputados estaduais ou federais. Diante disso, o PDS aglutinou mais setores de direita e puramente fisiológicos, como o PDC, mudando de nome para PPR (Partido Progressista Reformador) em 1993. Com isso elegeu três governadores, mas em estados de menor expressão (Amazonas, Acre e Tocantins). Seguindo a mesma tática de aglutinar grupos oportunistas existentes pelo país, após algumas outras fusões passou a se chamar Partido Progressista Brasileiro (PPB). Em 1996 obteve mais algumas vitórias, em prefeituras, como aquela de Celso Pita em São Paulo, e depois, em 1998, aquela de Esperidião Amin para o governo de Santa Catarina e aquela de Neudo Campos para o governo de Roraima.

Desde 1996, porém, o "programa” do partido já era somente colar no poder executivo dominante, apoiando o governo central em troca de favores tais como liberação de verbas para deputados e prefeitos. Nesse sentido, durante os oito anos de FHC serviu como base aliada do PSDB. Porém, nas eleições de 2002, se deu mal, sobretudo, com a vitória esmagadora do PT, elegendo apenas 49 deputados e perdendo assim 11 cadeiras na Câmara Federal.

Ora, já em 2003 realizou uma Convenção Nacional e mudou novamente de nome, passando a se chamar Partido Progressista (PP), o seu nome atual. Como já era o seu costume, aderiu ao poder executivo, apoiando o governo Lula na Câmara. Seus deputados foram destaque, como não poderia deixar de ser, no escândalo do mensalão e em outros, como o "mensalinho”, no qual o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, membro do PP, cobrava mensalmente uma propina pela concessão do restaurante da Câmara.

Paradoxalmente, foi exatamente no período que explodiu o escândalo do mensalão que Lula, numa negociação com Severino Cavalcanti, demitiu seu “companheiro” Olívio Dutra do Ministério das Cidades e colocou um membro do PP como ministro: Márcio Fortes, que até hoje permanece no ministério. Observe-se que este ministério possui um orçamento de R$ 15,2 bilhoes para 2010 e comanda dois dos principais programas de propaganda do governo, aqueles "Minha Casa Minha Vida” e o “Água e Luz Para Todos". Além disso, entre outros projetos ligados ao PAC, esse ministério realiza também o programa “Urbanização de Favelas”.

Parece assim que o governo Lula e o PT pretendem manter e consolidar a sua aliança com o PP, e principalmente garantir o seu apoio nacional à candidatura Dilma. Como comentamos, o PT colocou até um membro do PP entre os coordenadores da campanha de Dilma. No entanto, mesmo assim, o PSDB também está na disputa pelo apoio do PP e chega-se a falar que ofereceria o cargo de vice-presidente ao senador Francisco Dornelles, membro do PP e parente de Aécio Neves, fato este que fortaleceria o PSDB em Minas.

A disputa acirrada pelo apoio do PP também se dá devido ao tempo na propaganda eleitoral na TV, pois, o partido possui 1 minuto e 20 segundos no tempo destinado às candidaturas presidenciais. Além disso, apesar de sua política totalmente fisiológica, paradoxalmente, o PP possui 1 milhão e 200 mil filiados, sendo o segundo partido do país, somente perdendo para o outro partido campeão em fisiologia política, o PMDB.

Mas, com 1 milhão e 200 mil filiados, o PP possui, assim, uma base nacional estruturada extensa, expressa claramente em 550 prefeitos filiados ao partido, 56 deputados estaduais, 41 deputados federais, dois governadores e um senador. Segundo a Folha (01/05), Serra já tem apoio do PP em 11 estados e o PT em 10, existindo indefinição em 6 estados. Cabe saber qual o preço da fatura que será cobrada pelo PP em cada um dos estados para negociar o seu apoio.

Porém, diante de tal acirrada disputa entre o PT e o PSDB pelo apoio do PP, algo mais fica claro além do já conhecido fisiologismo histórico do PP: o PT e o PSDB também não possuem programa algum, a não ser aquele do próprio PP, o desejo de chegar ao poder ou ao menos ficar o mais próximo possível dele. Mas, para isso é preciso, como disse João Pizzolatti, paciência, canja de galinha e sangue de barata. Eis aí escancarada, na história do PP e nas suas relações com o PSDB e o PT, o que é a própria democracia burguesa e a farsa absoluta do seu processo eleitoral.

Por isso mesmo, como sustentou originalmente Marx e como reafirmou Lênin, os trabalhadores não podem ter qualquer ilusão na democracia burguesa e nas suas instituições de representação que somente pretendem mascarar a contradição insuperável entre capital e trabalho. Porém, a maioria dos lideres sindicais e partidos ditos de esquerda reforçam as ilusões no processo eleitoral burguês, no parlamento e mesmo nas eleições presidenciais, sendo em certo sentido cúmplices do PP e seus aliados. Somente assim compreende-se que até o dia Primeiro de Maio, dia em que os trabalhadores de todo o mundo deveriam lembrar a sua luta histórica e preparar a futura, até este dia é sufocado e desviado, cada vez mais, para os fins eleitorais burgueses e a sua falsa democracia.

LEIA MAIS