Depois de sugerirem João Vaccari Neto, tesoureiro do PT e ex-diretor da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), para exercer o cargo de caixa da campanha de Dilma, a idéia foi abandonada devido a série de escândalos que começaram a aparecer envolvendo Vaccari.
O Ministério Público descobriu supostos grandes desvios de dinheiro da Bancoop para o caixa de campanhas eleitorais do PT.
Depois de muito meditarem, em começo de maio deste ano, os petistas sugeriram José de Filippi Junior, ex-prefeito de Diadema para assumir o cargo no lugar de Vaccari. Noticiou-se na época: “Além de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, o ex-prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior (PT), deve assumir uma missão na campanha à Presidência da República de Dilma Rousseff (PT), aquela de tesoureiro.”
No entanto, agora, nesta semana, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o novo suposto futuro tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff e ex-prefeito de Diadema a devolver valores que podem chegar a R$ 2,1 milhões. Filippi, quando prefeito dessa cidade, contratou sem licitação o escritório do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado vinculado há muitos anos ao PT, sendo inclusive deputado pelo partido, além de sempre defender o partido em casos altamente suspeitos, como aquele do assassinato do prefeito Celso Daniel.
Conforme foi constatado pelo Ministério Público, o escritório de Greenhalgh foi contratado pela Prefeitura de Diadema entre 1983 e 1996. Porém, durante esses 15 anos, teria defendido somente duas causas, e para isso recebido cerca de R$ 2,1 milhões que devem ser devolvidos. Agrava-se a flagrante irregularidade, pois, de acordo com a Promotoria, a prefeitura contava nesse período com 51 procuradores para defender os interesses jurídicos da cidade.
O suposto futuro tesoureiro de Dilma, José Filippi, – já tesoureiro da campanha de Lula em 2006 – foi condenado em duas decisões do Tribunal de Justiça. Na primeira delas, houve um voto a favor dele, permitindo um segundo julgamento. Desta vez a derrota foi maior: 4 a 1. Ainda assim, haverá possibilidade de mais um recurso.
Mas, a pena imposta agora não foi somente em dinheiro. Considerando grave a irregularidade ocorrida, o Tribunal de Justiça também cassou os direitos políticos de Filippi Junior por cinco anos. Será que o tesoureiro de Dilma será um cidadão cassado, por mau uso do dinheiro público e sem direitos políticos? Tal como José Dirceu, político cassado, que ainda continua a ter papel ativo na campanha de Dilma? Como se sabe, Dirceu viaja pelo país fazendo as articulações entre os partidos que negociam apoio a Dilma.
Justificando a decisão sobre o ex-prefeito Filippi Junior, escreveu o desembargador Renato Nalini a respeito da contratação de Greenhalgh: "A população de Diadema foi prejudicada. Não pode escolher. Não se levou em consideração o custo do contrato, mas fatores outros, cujos indícios são de proteção ou escolha baseada em critérios personalíssimos".
Mas, o pior é que esses procedimentos parecem fazer parte da rotina do PT na cidade. Outro prefeito do PT em Diadema – Gilson Menezes, ex-ferramenteiro e companheiro de Lula nas greves do ABC – assim como, um ex-vice prefeito, José Augusto da Silva Ramos, também foram condenados por irregularidades administrativas.
Como se sabe, isto não ocorre somente em Diadema e o caso de José Fillipi, futuro tesoureiro de Dilma, se repete em outros casos de ex-prefeitos petistas. Algumas outras célebres figuras do Partido do Trabalhadores, também já pensadas como certas na campanha e no possível futuro governo de Dilma, apareceram esta semana nos jornais envolvidas em escândalos financeiros.
Um dos casos é aquele do ex-prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Palocci. O juiz André Carlos de Oliveira, da 2ª Vara de Ribeirão Preto, condenou Palocci em seis ações populares sobre propaganda irregular em sua segunda gestão na cidade, em 2001. No entanto, apesar dessas acusações e daquelas anteriores sobre a quebra do sigilo bancário do caseiro, quando ministro de Lula, Palocci atua hoje como coordenador de campanha de Dilma Rousseff. Conforme esta última decisão da justiça, terá de devolver aos cofres públicos, se confirmada a sentença em instâncias superiores, pelo menos R$ 413,2 mil, além de outros R$ 500 mil de suplementação de verba gastos com empreiteiras. Além de coordenar a campanha de Dilma, comenta-se que Palocci é pensado como possível chefe da Casa Civil, caso a candidata seja eleita presidente.
Mas, outro escândalo atingiu a base de Lula nesta semana. Como se sabe, o senador Romeu Tuma, abandonou o DEM, partido de oposição, e ingressou no PTB em 2008 para apoiar a chapa Lula-Dilma. Logo recebeu recompensa: seu filho, Romeu Tuma Jr., foi nomeado para Secretário Nacional de Justiça. No entanto, esta semana, o senador Romeu Tuma foi acusado pelo juiz Ali Mazloum, titular da sétima Vara Criminal Federal em SP, por crime de ocultação de cadáver, crime imprescritível, não sendo coberto pela Lei da Anistia.
Fora isso, como se sabe, há menos de um mês, seu filho, Romeu Tuma Jr., tirou férias por trinta dias do cargo de Secretário Nacional de Justiça, tentando fazer esfriar as acusações vindas da Polícia Federal, que mostraram gravações onde aparecem vínculos evidentes de Tuma Jr. com o chefe da máfia chinesa que atua em São Paulo.
Como se vê, o governo Lula e sua possível sucessora Dilma Rousseff, aliados do grande capital, terão dificuldades para montar uma equipe de campanha e de um novo governo que – como o próprio grande capital – não venha ao mundo com a "Ficha Suja". Pois, como dizia Marx, o grande capital já chega ao mundo manchado de lama e sangue por todos os poros.
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