Quando as tropas do Exército Vermelho (a ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS) e aquelas das potências imperialistas (EUA, Inglaterra, França) tomaram Berlim em 1945 e, aparentemente, terminavam um período histórico, aquele da barbárie nazista que matou, no mínimo, 40 milhões de homens, parecia que acabava, assim, uma época de irracionalidade absoluta da humanidade.
Mas isso era um grande engano! Quando caiu a Alemanha, o filósofo Heidegger, que por certo tempo se aliou ao nazismo, teria escrito, aproximadamente, nas suas notas, que tudo isso era apenas jornalismo. Pensava Heidegger, conforme os seus biógrafos, que, se era noite sinistra em Berlim, a Alemanha não tinha ainda caído, pois, ela ainda não tinha ainda atingido o cume, não tinha ainda preenchido todo o seu percurso de ascenso, e pensava, de maneira profunda, ainda que wagneriana, que a Alemanha não tinha cumprido todo o seu destino.
Da mesma forma, Stalin, então aliado fiel das potências capitalistas da época, segundo o historiador trotskista, Isaac Deutscher, teria profetizado para Churchill (então, primeiro ministro da Inglaterra) e para as tropas comandadas pelos EUA, que eles eram demais otimistas. Para Stalin, bastariam cerca de quarenta anos, ou um pouco mais, e veríamos a Alemanha novamente em pé.
Ora, tanto Heidegger como Stalin estavam certos. Estavam certos porque o capitalismo, como sistema produtivo da barbárie e exploração não havia sido derrubado. Os EUA, a grande potência capitalista emergente da Segunda Guerra hoje agoniza no desemprego massivo, assim como grande parte da Europa e do mundo.
No entanto, quem se levanta novamente comandando a Europa? Justamente a Alemanha, a Alemanha, a Alemanha, como profetizaram, corretamente, Heidegger e Stalin. Derrubaram o muro de Berlim, em novembro de 1989, destruíram a Alemanha dita “comunista”, e com grande alarde se anunciou que terminava a história e, sobretudo, as contradições do capitalismo. Marx estaria morto para sempre.
Construiu-se a União Européia. Criou-se a moeda única, o euro. Tudo caminhava, aparentemente, para a superação definitiva das nações e das guerras imperialistas. Tudo isso era apenas uma grande ilusão jornalística. Na verdade, ao contrário das previsões otimistas de muitos economistas (inclusive marxistas, como Mandel), o crescimento capitalista de 1950 a 2008 (para resumir a história), nada mais foi do que a reposição das forças produtivas destruídas durante a Segunda Guerra Mundial, terminada em 1945. Hoje a União Européia e a economia mundial capitalista agonizam.
Esgotam-se as edições de O capital de Marx. Marx está mais vivo do que nunca!
A crise econômica de 1929, que levou à Segunda Guerra Mundial, retorna com toda a sua força, ou melhor, de maneira redobrada e multiplicada. Mas, sobretudo retorna a Alemanha, governada pela extrema direita, e procurando sufocar os países menores da Europa.
Nesta semana, Angela Merkel, o "Hitler de saia", anunciou um drástico corte orçamentário, o maior desde a Segunda Guerra Mundial. Pretende cortar US$ 110 bilhões em três anos. Isso significa aumento do desemprego em massa que já toma conta da economia européia como um todo. Como se sabe, Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda, e mesmo Itália possuem índices de desemprego que chegam à casa de 20%.
Que significará esse corte anunciado pela Alemanha? Certamente, levantes sociais, como já estão ocorrendo na Grécia, na Espanha e em outros países. Esse corte significará também que levantes ocorrerão mesmo na Inglaterra e mesmo na Alemanha. Diante desses levantes operários, certamente, Merkel e seus aliados recomendarão a polícia, a repressão, o ataque físico aos trabalhadores. O fascismo está voltando na Europa e na Alemanha, como previram Heidegger e Stalin.
A única forma de ter acabado com o possível retorno do fascismo era a revolução socialista na Europa e à escala mundial. Isso era possível ao final da Segunda Guerra. Tanto na França, na Itália, como na Grécia, a classe operária armada, certamente, poderia ter tomado o poder. No entanto, foi traída vergonhosamente pelas suas direções, submetidas às ordens de Moscou e de Stalin.
A única forma de terminar com o retorno do imperialismo alemão, com o novo levante da Alemanha sobre a Europa e sobre o mundo, assim como terminar com o retorno da barbárie capitalista é a organização independente da classe operária mundial.
Mais do que nunca, a classe operária à escala mundial deve erguer um programa único de defesa dos seus direitos mínimos: trabalho para todos, não aceitar demissões, e não aceitar redução dos salários. Esse é o começo do programa de transição para uma nova sociedade sem guerras e sem barbárie. Esse é o começo para que termine a crise estrutural do capitalismo que ainda vivemos, aquela de 1929.
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