Nestas últimas semanas, o carro-chefe do “crescimento chinês” do governo Lula, a Petrobras, sofreu um duro golpe, exatamente, onde deveria ser a sua menina dos olhos, a exploração do pré-sal. Incertezas a respeito da viabilidade econômica da exploração do petróleo da camada do pré-sal derrubaram as ações da Petrobras, que acabaram desvalorizando-se somente menos que as da BP, empresa britânica de petróleo responsável pelo recente e gigantesco vazamento de petróleo no Golfo do México.
Agora, até analistas burgueses chamam atenção para o risco do endividamento da máquina estatal, que vai desde o BNDES até o programa “Minha Casa Minha Vida”, já considerado um programa “com metas ambiciosas e prazos incertos”. Reconhece-se ainda que os gastos são irresponsáveis e que este governo está deixando uma “herança maldita” para o seu sucessor.
Mas, realmente, para o governo Lula, o que ocorrer após as eleições de outubro pouco importa. O grande esforço é sustentar a euforia do milagre lulista até as eleições, garantindo a vitória de Dilma sobre Serra. José Serra, por outro lado, parece não se constituir como alternativa eleitoral nem mesmo para a burguesia, que vê nele uma caricatura do que foi FHC, incapaz de formular uma alternativa ao assistencialismo dos programas dito sociais de Lula e à sua política econômica.
Enquanto isso, os efeitos da crise serão sentidos mais e mais, sem que, no entanto, haja no horizonte próximo qualquer garantia de melhoria. Nesse sentido, basta vermos a situação do continente europeu. A Grécia, após violentos cortes orçamentários, que atingiram diretamente os salários e direitos dos trabalhadores, continua à beira da bancarrota. Na Espanha, nem mesmo a euforia da conquista da Copa do Mundo é capaz de afastar o fantasma da recessão e do desemprego. No país da fúria, um em cada cinco trabalhadores está desempregado e, entre os jovens o número é ainda maior, chegando a 40% daqueles que procuram o primeiro emprego.
No restante do mundo, a situação não é muito mais animadora. Mesmo a super-exploração dos trabalhadores chineses, que gera ondas de suicídio em massa, não é suficiente para reverter a queda brusca do PIB chinês. Nos EUA, o crescimento continua abaixo das expectativas e a recessão já é dada como certa.
Assim, como se vê, nem mesmo o milagre lulista será capaz de reverter a situação de crise do capitalismo brasileiro e mundial. Neste cenário que se aproxima daquele das sinistras gravuras do artista espanhol Francisco Goya, a burguesia, por meio de seus políticos corruptos, de seus aparatos repressivos e de seus grandes conglomerados econômicos, prepara ondas de demissões, ataques aos direitos e rebaixamento dos salários dos trabalhadores em todo o mundo. Quem pagará a conta pela irracionalidade deste sistema econômico em agonia serão aqueles que diariamente são obrigados a vender a sua força de trabalho por salários humilhantes, cada vez mais rebaixados e com o seu poder de compra sempre menor.
Nestas condições do capitalismo em decomposição, as massas trabalhadoras, mais do que nunca, estão ameaçadas de serem lançadas no abismo da miséria. Mais do que nunca, os trabalhadores são obrigados a “defender seu pedaço de pão, mesmo se não podem aumentá-lo ou melhorá-lo. Não há”, como dizia Trotsky, “possibilidade nem necessidade de enumerar aqui as diversas reivindicações parciais que surgem, a cada momento, de circunstâncias concretas, nacionais, locais, profissionais. Mas dois males econômicos fundamentais, nos quais se resume o absurdo crescente do sistema capitalista – o desemprego e a carestia da vida –, exigem palavras de ordem e métodos de luta generalizados”.
É preciso erguer um programa de luta, que seja uma bandeira única de luta, a bandeira da defesa dos direitos elementares ao emprego, salário digno e liberdade, reunidos e sintetizados nas reivindicações transitórias:
ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS, ou seja, reajuste mensal dos salários de acordo com a inflação. ESCALA MÓVEL DAS HORAS DE TRABALHO, ou seja, divisão das horas de trabalho existentes, em cada fábrica, entre todos os trabalhadores que participam do processo de trabalho dessa fábrica.