A atual crise econômica mundial tem exposto abertamente a lógica mais cruel e desumana do modo de produção capitalista. Com o aumento extraordinário do desemprego e a conseqüente redução do consumo mundial, o grande capital se desloca de maneira cada vez mais veloz para diferentes regiões do planeta em busca de salários mais baixos, com o objetivo de garantir suas margens de lucro.
Um exemplo recente dessa migração de capital é a transferência de grandes empresas do setor de tecelagem da China para Bangladesh, Vietnã e Camboja. A China deixou de ser atrativa para o setor, que encontra nesses outros países uma massa enorme de trabalhadores obrigados a vender a sua força de trabalho por metade dos salários dos chineses.
Enquanto o salário mínimo na China, que já é extremamente baixo, varia entre US$ 117 a US$ 147, o trabalhador médio de Bangladesh recebe apenas US$ 64 por mês para trabalhar 10 horas diárias durante 6 dias da semana.
Essas tecelagens são fábricas enormes, como é o caso da Sinhá Textile, do grupo Opex, que emprega 30 mil trabalhadores. As peças produzidas são exportadas para grandes companhias americanas e européias como a Nike, Gap e Wal Mart. Essas redes de grandes empresas são, portanto, extremamente beneficiadas pela super-exploração dos trabalhadores do sul da Ásia.
O grande capital aproveita, assim, as péssimas condições de vida da população desses países para pagar salários aviltantes. Em Bangladesh, por exemplo, a grande maioria da população vive em condições sub-humanas, o que a obriga a aceitar qualquer oferta de emprego. Estima-se que 60% encontram-se abaixo da linha da pobreza, ou seja, vivem com menos de U$ 1 por dia. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país está entre os 100 piores do mundo. A taxa de analfabetismo do país é de 66%. O trabalho infantil é comum no país.
Enquanto o grande capital migra em busca de salários mais baixos, os trabalhadores de diversas regiões do planeta seguem um caminho inverso, migrando para países onde supostamente encontrariam melhores condições de vida. É o caso dos trabalhadores latino-americanos, a maioria deles de origem boliviana, que vêm para o Brasil e, ao invés de conquistarem uma vida digna, terminam confinados em tecelagens ilegais, vivendo em regime de semi-escravidão. Essas empresas, a maioria delas instaladas na cidade de São Paulo, pagam apenas R$ 0,40 centavos por peça de roupa, que são produzidas em jornadas extenuantes de 12 horas diárias.
Não é maior a sorte daqueles trabalhadores que buscam escapar da miséria procurando emprego nos Estados Unidos. Ao chegarem na sonhada América, são tratados literalmente como criminosos voluntários. Quando presos, sofrem freqüentemente maus tratos, recebendo, em certas ocasiões, apenas duas refeições diárias e sendo alojados em barracas onde a temperatura chega aos 48 ºC no verão.
A situação dos imigrantes do estado do Arizona, que possui uma longa fronteira com o México, se agravou depois de ter entrado em vigor, no dia 29 de julho, uma lei estadual contra a imigração, lei que possui características abertamente racistas. A lei torna crime estadual (e não só federal) estar no Arizona sem visto. Diversas manifestações de repúdio já foram organizadas contra a lei. Em Phoenix 50 manifestantes foram presos.
O presidente Obama, que criticou a nova lei, está longe de poder ser considerado um defensor dos imigrantes. Ao contrário, seu governo está prestes a bater o recorde de deportações de imigrantes ilegais. Estimativas do próprio governo apontam que cerca de 400 mil pessoas serão forçadas a deixar os EUA somente neste ano. Esse número é 10% maior do que aquele do governo George W. Bush, em 2008, e 25% maior que no ano anterior.
Os trabalhadores nascidos nos Estados Unidos também encontram-se em dificuldades para sobreviver. Cerca de 20% deles não conseguiram pagar suas contas em 2009, maior índice em 25 anos. O estudo realizado pela Universidade de Yale aponta o desemprego, o achatamento salarial e as despesas médicas como os principais responsáveis pelo agravamento das condições de vida dos trabalhadores norte-americanos.
Como se vê, o capitalismo mostra-se cada vez mais incapaz de garantir uma sobrevivência digna para a maioria da população mundial, independente da nacionalidade. A degradação das condições de vida dos trabalhadores de todo o mundo avança a passos largos e a resposta dada pelos governos é apenas violência, violência e violência. Mais do que nunca, a situação comum enfrentada pela classe trabalhadora mundial exige que se levante um programa único de defesa dos empregos e dos salários:
ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS, ou seja, reajuste mensal dos salários de acordo com a inflação!
ESCALA MÓVEL DAS HORAS DE TRABALHO, ou seja, divisão das horas de trabalho existentes, em cada fábrica, entre todos os trabalhadores que participam do processo de trabalho dessa fábrica!
Participe da construção de um futuro possível, participe dos Comitês do MNN!
Se você quer conhecer o MNN, participe de um dos nossos comitês! Basta chegar no horário e local marcado, se apresentar e partcipar da reunião, colaborando na medida das suas possibilidades e interesse.
Entre em contato, comente uma notícia, se informe sobre as atividades, envie uma denúncia, solicite materiais: fale com o MNN!