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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS EDITORIAL VER CAPA DA EDIÇÃO #118

Nova recessão já se manifesta

Defender os empregos e os salários!

Conselho Editorial

08/08/2010
Defender os empregos e os salários!

Confirmando as projeções mais realistas feitas há algumas semanas por várias entidades mundiais, uma nova recessão econômica já começa a se manifestar. Como ocorreu no final de 2008, os Estados Unidos é novamente o país que anuncia a queda da economia mundial. Depois de um período de 12 meses de crescimento do emprego, o desemprego voltou a aumentar na maior economia do planeta no mês de julho. De acordo com o Departamento do Trabalho do governo dos Estados Unidos, somente no último mês houve a perda de 131 mil postos de trabalho no país.

Segundo noticiou a Folha de São Paulo, a quantidade de trabalhadores empregados nos Estados Unidos vinha se elevando até o mês de junho. No entanto, essa aparente retomada da economia norte-americana era impulsionada artificialmente por medidas governamentais, como a contratação de trabalhadores temporários. Em julho, o governo Obama rescindiu 202 mil desses contratos, o que fez reduzir drasticamente o total de postos de trabalho no país.

Os índices de desemprego nos Estados Unidos são alarmantes. Se aqueles trabalhadores que não procuraram emprego forem incluídos no cálculo da taxa de desemprego, este índice subiria de 9,5%, que é a taxa oficial divulgada pelo governo, para 16,5%, o que representa nada menos que 14,6 milhões de trabalhadores norte-americanos desempregados, quantidade que se aproxima do total de desempregados de toda a América Latina e Caribe, que é de 18 milhões de trabalhadores.

Dessas 14,6 milhões de pessoas, quase metade (6,6 milhões) está sem trabalhar há mais de seis meses. Mas isso ainda não expressa toda a brutalidade da situação enfrentada pelos trabalhadores norte-americanos. Nas camadas mais pobres da população, a situação é ainda mais dramática. Estima-se que nesses setores, como no distrito 8 da região sudeste de Washington, cerca de um terço da população esteja desempregada.

Na verdade, o índice oficial de desemprego de 9,5% serve para maquiar a realidade, serve para esconder a miséria em que se encontra boa parte da população trabalhadora. A realidade oculta por trás dos índices oficiais é a de que a economia dos Estados Unidos somente se mantém conservando verdadeiros bolsões de miséria, onde os níveis de desemprego chegam a superar os índices dos países mais pobres, como é o caso da África do Sul, com 25,2% de desemprego. As condições de vida de muitos trabalhadores norte-americanos são idênticas àquelas enfrentadas por trabalhadores de todo o mundo.

O desemprego em escala mundial

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que em 2009 havia 212 milhões de desempregados no mundo. A entidade observa também que, de 2007 ao início de 2010, o número de desempregados no mundo aumentou em 34 milhões.

Além dos trabalhadores temporários, os imigrantes, as mulheres e os jovens são os mais prejudicados pela falta de emprego. A OIT afirma que, entre 1995 e 2005, um terço dos 1,1 bilhão de jovens de 15 a 24 anos buscaram trabalho, sem êxito. Nesse período, o número de jovens cresceu 13,2%, enquanto a disponibilidade de empregos para eles só aumentou 3,8%.

Mas os desempregados não são os únicos trabalhadores lançados na miséria. Há um contingente 7 vezes maior de trabalhadores que possuem empregos vulneráveis, que enfrentam também extremas privações. Segundo a OIT, mais de 1,5 bilhão vivem nessas condições precárias, o que representa nada menos do que 50,6% da força de trabalho do planeta. Somente em 2009 o número de pessoas que não têm um trabalho fixo aumentou em mais de 110 milhões.

Como se vê, no capitalismo o futuro da classe trabalhadora é cada vez mais sombrio. O capital somente subsiste aumentando o exército industrial de reserva, um exército de desempregados, que são lançados a uma vida cada vez mais miserável.

Devido à incapacidade absoluta do capitalismo de garantir emprego a todos os trabalhadores, a luta pelo emprego, associada à luta pela manutenção dos salários, deixou de ser uma luta meramente econômica para se tornar uma luta revolucionária. O pleno emprego e a manutenção dos salários somente podem ser conquistados numa nova sociedade, numa sociedade onde a produção da vida dos homens esteja acima da extração do lucro.

O próprio capital cria, assim, as condições para a agitação, em escala mundial, de um programa único para todos os trabalhadores.

EMPREGO PARA TODOS! FRENTES PÚBLICAS DE TRABALHO!

NENHUMA DEMISSÃO! ESCALA MÓVEL DAS HORAS DE TRABALHO!

REAJUSTE MENSAL DOS SALÁRIOS! ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS!

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