"Quem vier depois de mim... Só tenho que pedir a Deus para que seja uma pessoa mais abençoada que eu, que olhe para os pobres mais que estou olhando".
Presidente Lula
“...todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes, (…) a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.
Marx, O dezoito brumário
O presidente Lula não rasgou a Constituição. A emenda do terceiro mandato ficou na gaveta. Porém, após oito anos no poder, Lula deixa a presidência com um índice de aprovação recorde. Governando com bordões ufanistas, como aquele “nunca antes neste país”, colocou-se acima do seu e de todos os demais partidos, costurou alianças que colocaram Judas ao lado de Jesus, que conduziram seu partido, o PT, ao esfacelamento absoluto, sem que isso arranhasse em nada a sua imagem e a de seu governo. O fracasso entre aspas do PT foi o triunfo do lulismo, este neovarguismo do séc. XXI, um bonapartismo em sua forma larvar.
O “sucesso” do lulismo é ancorado no uso desenfreado dos recursos do Estado brasileiro, por meio dos bancos estatais – vide o caso do BNDES, que neste último ano viu o governo aumentar em 40% o financiamento para o setor privado – e das gigantes estatais – Petrobras e companhia – para forjar um progresso econômico fantasioso. A cooptação das lideranças sociais e o atrelamento das principais centrais sindicais serviu para calar os trabalhadores e abafar qualquer voz contrária. Da mesma forma, nunca vimos antes neste país a UNE ser tão chapa-branca. Os recursos também não foram poupados para os chamados “programas sociais”, e bolsas-tudo foram distribuídas, sobretudo no Norte e Nordeste, garantindo, não por acaso, os maiores índices de aprovação à Lula e à sua candidata, Dilma.
Esses gastos, que enchem os bolsos dos políticos aliados, garantem a satisfação de parcela significativa da burguesia nacional e põem panos quentes na revolta da classe trabalhadora, não podem sustentar-se infinitamente. Pelo contrário, nestas últimas semanas, pudemos assistir à divulgação de novos dados sobre a estagnação das economias norte-americana e chinesa, tidas como as locomotivas da economia mundial. Os comentários de Lula sobre a “marolinha” e o “pior já passou” são uma irresponsável cegueira consciente.
Que o “milagre” do crescimento perdure até o fim das eleições, depois disso, com o jogo ganho, a história é outra. Até lá, basta que Dilma represente o candidato que Lula não pode ser, pela força das circunstâncias. José Serra também quis, ao seu modo, ser um pouco herdeiro de Lula, seu sobrinho. Ainda que este papel já tenha dono, a Serra não cabe muito mais do que isso, pois diferenciar-se de Lula é negar, aos olhos de grande parcela do eleitorado, o milagre brasileiro.
Nos grandes centros urbanos, nas regiões mais industrializadas e desenvolvidas economicamente, onde o lulismo tem menos força, já podemos ver, entre a juventude e o proletariado, uma revolta crescente. Onde o milagre não ofusca, a ameaça do desemprego e a pressão sobre os salários fala mais alto. É precisamente nessas regiões, que as candidaturas da esquerda – Plínio de Arruda, Zé Maria, Rui Costa Pimenta e Ivan Pinheiro – têm maior fôlego.
Se as declarações de Plínio (PSOL) são polêmicas para a grande imprensa, não representam projeto conseqüente algum para a juventude e proletariado, e mais servem para neutralizar a candidatura de Zé Maria. Esta, por sua vez, que seria aquela mais importante, aquela representante potencial da vanguarda da classe trabalhadora, dissolve sua força em um programa confuso, que apresenta a estatização das empresas falidas ao lado da redução da jornada e de uma segunda independência do país.
Nós do Movimento Negação da Negação, por outro lado, defendemos a luta incondicional pelo EMPREGO e SALÁRIO DIGNO. Por meio da ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS, ou seja, reajuste mensal dos salários de acordo com a inflação; da ESCALA MÓVEL DAS HORAS DE TRABALHO, ou seja, divisão das horas de trabalho existentes, em cada fábrica, entre todos os trabalhadores que participam do processo de trabalho dessa fábrica; e das FRENTES PÚBLICAS DE TRABALHO para a massa de trabalhadores desempregados. Tais são as bases de um programa único para todos os trabalhadores do Brasil.
A defesa deste programa, ou seja, a defesa do EMPREGO e SALÁRIO DIGNO deveria pautar o programa eleitoral de uma candidatura operária, ou pelo menos, deveria ser o elemento norteador dessa candidatura. O que vemos, no entanto, é que tais reivindicações são diluídas em programas confusos que pouco contribuem para construir uma alternativa para o proletariado brasileiro.
Diante da impossibilidade de concorrermos nesta eleição – o movimento caminha para a sua legalização – ao defendermos a campanha por um programa único para os trabalhadores do Brasil, defendemos o VOTO NULO nestas eleições. Essa defesa é a resposta mais clara ao “milagre” lulista e a toda essa política degenerada, marcada por escândalos, falcatruas e pela traição e exploração da classe trabalhadora brasileira.
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