MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
BUSCA OK
~~!
MNN

“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS EDITORIAL VER CAPA DA EDIÇÃO #162

CRISE DO GOVERNO DILMA

O fantasma do mensalão assombra o PT

J.M.

10/07/2011
O fantasma do mensalão assombra o PT

Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal essa semana, o procurador-geral da República pede a condenação de 36 dos 38 réus pelo caso do mensalão, o que resultaria em penas de até 527 anos de prisão para Marcos Valério e 111 anos para José Dirceu e Delúbio Soares. Praticamente ao mesmo tempo, estoura um novo escândalo de corrupção, derrubando a cúpula do Ministério dos Transportes e o segundo ministro de Dilma, pouco mais de um mês após a queda de Antônio Palocci. Estejam esses fatos diretamente ligados ou não, eles mostram como o fantasma da crise que se manifestou em 2005 continua e continuará a assombrar o PT e o Estado burguês no Brasil.

Já há pouco mais de 6 anos, no dia 6 de junho de 2005, Roberto Jefferson (PTB, Partido Trabalhista Brasileiro) detonava a maior crise atravessada por Lula em seus 8 anos de governo. Atingido por denúncias que flagraram a roubalheira do seu partido nos Correios – denúncias que podem ter partido do próprio governo –, abandonado pelos seus aliados e acuado pela iminente instalação de uma CPI, o presidente do PTB revelou o esquema de compra de votos do governo Lula: o tesoureiro do PT Delúbio Soares pagava mesadas de R$ 30 mil para os deputados votarem a favor das propostas do partido. O dinheiro vinha de estatais e de empresas privadas beneficiadas por contratos milionários com o governo.

Pela falta de ação da oposição burguesa, e principalmente da esquerda, o escândalo que chegou a silenciar Lula foi aos poucos abafado – mas as denúncias de corrupção nunca cessaram, trazendo a crise sempre de volta à superfície.

Em poucos meses de governo, Dilma já sofreu seu primeiro abalo com o novo caso Palocci – duas vezes ministro, duas vezes afastado por corrupção –, dessa vez por suspeitas em torno da multiplicação fantástica de seu patrimônio: 20 vezes em 4 anos.

Mas se o caso Palocci revelou apenas seu enriquecimento privado às custas do Estado e uma provável fonte do caixa dois da eleição de Dilma, o mais recente escândalo envolvendo o Ministério dos Transportes expõe de forma ainda mais aberta o uso privado do Estado pelos petistas e seus aliados, e as contradições insolúveis por trás do frágil equilíbrio do PT no poder.

Como foi revelado a partir do último dia 2 pela imprensa, o PR (Partido da República), no comando dos Transportes, mantinha um esquema de superfaturamento de obras e recebia propina de empreiteiras. As denúncias derrubaram imediatamente boa parte da cúpula do Ministério, do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e da estatal Valec (Engenharia, Construções e Ferrovias) e logo atingiram o próprio ministro Alfredo Nascimento: dois anos depois de ser fundada com R$ 60 mil, a empresa de seu filho – provável beneficiada de contratos com o Ministério – atingiu capital de R$ 50 milhões, crescendo 86.500%, um salto 50 vezes maior que o de Palocci, em metade do tempo.

Alguns analistas comentam que a especificidade e a precisão das denúncias que chegaram à imprensa evidenciam que elas só podem ter vindo de dentro do próprio governo – a queima do ministro seria apenas a manifestação de um conflito mais profundo entre Dilma e partidos da base aliada. Assim, por trás do escândalo dos Transportes estaria uma reação do PT à queda de Palocci e uma ameaça à base “aliada” rebelde.

E, como Jefferson em 2005, o PR não parece disposto a afundar sozinho. Segundo a Folha de S.Paulo, o diretor-geral afastado do Dnit, Luiz Antônio Pagot, que dará explicações ao Congresso essa semana, deve apontar a responsabilidade do PT no caso. Declarações de Pagot citadas pelo jornal apontam que o PT manda tanto quanto o PR no órgão, sendo inclusive responsável pela maioria das obras. Pagot citou o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron, filiado ao PT do Rio Grande do Sul desde 1985, e estaria visando ainda o ex-ministro do Planejamento (atual das Comunicações) Paulo Bernardo, por quem passavam todos os projetos, e sua mulher Gleisi Hoffmann (ministra da Casa Civil), que acompanhava a execução das obras no Paraná. As obras do Dnit ligam ainda Pagot a Zeca Dirceu (PT-PR) e a própria Dilma, a quem, como Ministra da Casa Civil e “mãe do PAC”, o Dnit prestava contas até 2010.

Mas independente de até onde chegará a lama, o elo entre o escândalo dos Transportes e o mensalão é claro: como foi revelado pelos vários escândalos menores de corrupção e definitivamente pelo mensalão, o PT só pode governar e se manter no poder apoiado em uma extensa casta burocrática, advinda por um lado do sindicalismo pelego e por outro dos partidos burgueses mais conservadores e corruptos do país.

Os altos custos de manutenção que esses setores parasitários representam para o capital, as contradições entre as diferentes facções e sua luta constante pela pilhagem de fatias maiores ou menores da mais-valia transferida para o Estado – esses são os fundamentos dos incontáveis escândalos de corrupção, que aparecem sempre como “uma nova crise”, sem relação com a anterior, mas que se tratam, na verdade, de uma só e mesma crise, a crise de dominação burguesa que atinge o país desde a chegada de Lula e do PT ao poder.
 

LEIA MAIS

COMPARTILHE


MAIS NOTÍCIAS DESTA EDIÇÃO

CRISE DO GOVERNO DILMA

O fantasma do mensalão assombra o PT

SINDICATOS E PSEUDOESQUERDA

As lições políticas das lutas na Grécia