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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS EDITORIAL VER CAPA DA EDIÇÃO #184

CRISE MUNDIAL

Brasil, China, Europa, o mundo no caminho da ruína

N.P.

12/12/2011
Brasil, China, Europa, o mundo no caminho da ruína

Ao contrário do que diz a propaganda oficial de Dilma e a euforia da imprensa burguesa, os dados divulgados pelo IBGE essa semana mostraram que a economia brasileira não está descolada da crise mundial: o Produto Interno Bruto (PIB) estagnou no terceiro trimestre, reduzindo as expectativas de crescimento no ano para abaixo de 3%.

Segundo o IBGE, entre julho e setembro o crescimento da economia brasileira ficou no zero, com quase todos os setores encolhendo – a indústria teve queda de 0,9% e os serviços de 0,3%. O resultado do PIB como um todo só não foi negativo por causa da agropecuária, que cresceu 3,2%. No mesmo período, até as economias mais diretamente afetadas pela crise econômica tiverem crescimento superior ao do Brasil: os EUA cresceram 0,2% e mesmo a União Européia, atual centro da tormenta econômica, cresceu 0,2%, apesar do recuo de alguns países.

Se deixarmos a esfera da circulação e olharmos para a produção, o desempenho do Brasil é ainda mais claro. No mês de novembro a indústria automobilística – setor fundamental da economia, que representa 23% da produção industrial – parou de contratar. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, após 28 meses consecutivos de aumento das vagas no setor, o último mês foi fechado com 145.386 trabalhadores empregados, apenas 29 a mais que no mês anterior.

Na verdade, dados recentes revelam que a indústria brasileira está estagnada há mais de três anos. Os dados do próprio PIB apontam que o crescimento da chamada indústria de transformação desde julho de 2008 até hoje não chega a 1%. Segundo o jornal Estado de S.Paulo, o crescimento do emprego industrial no mesmo período foi de apenas 2,2%.

Como já dissemos na semana passada, outro forte sinal de aprofundamento da crise mundial tem sido a desaceleração da China. A situação internacional está começando a abalar a maior fonte de mais-valia do planeta: a super-exploração dos 400 milhões de trabalhadores chineses.

Dados divulgados na semana passada mostraram que novembro foi o pior mês para as exportações chinesas em dois anos. Da mesma forma, o crescimento da produção industrial (12,4%) foi o menor desde agosto de 2009, e a inflação caiu ao menor índice desde setembro de 2010. Segundo a agência de notícias Reuters, a produção de aço bruto, por exemplo, caiu 9% de outubro para novembro, ficando em 49,88 milhões de toneladas, também o menor número desde setembro de 2010.

O crescimento do PIB chinês como um todo já está em queda por três trimestres consecutivos, e os economistas esperam que a taxa anual fique abaixo dos 9% pela primeira vez desde 2001.

A estagnação e o desemprego nos EUA e na Europa diminuíram o consumo mundial e colocaram no horizonte uma nova situação: a possibilidade de uma forte queda da produção industrial na China, inevitavelmente reduzindo drasticamente o consumo de matérias primas produzidas em todo o resto do mundo, inclusive no Brasil.

Que significa isso para os trabalhadores brasileiros e chineses?

Europa: Alemanha “dá o caminho”, o caminho da ruína

O caminho que a crise econômica mundial prepara para os trabalhadores brasileiros e chineses, e para os trabalhadores de todo o mundo, é o caminho amargo que já vem sendo experimentado pelos seus irmãos de classe nos países mais atingidos pela crise.

A perspectiva oferecida pelo capital internacional é aquela que já vem sendo imposta aos trabalhadores norte-americanos, gregos, portugueses, espanhóis, italianos, ingleses – a perspectiva do corte de salários e de todos os direitos sociais historicamente conquistados em troca do aumento das jornadas de trabalho e das idades de aposentadoria.

Nesse sentido, foi exemplar a “vitória” da chanceler alemã Angela Merkel ao conseguir impor essa semana seu plano de austeridade a toda a União Européia, isolando a Inglaterra. Todos os países da zona do Euro e a grande maioria dos membros da UE adotarão o acordo que limita as dívidas e déficits orçamentários e prevê punições e até expulsão do bloco para países que não equilibrarem suas contas.

Apesar das diferenças entre os líderes europeus, todos concordam em uníssono com os pacotes de austeridade. Depois de entregar trilhões de Euros para salvar os grandes bancos da falência, os governos estão determinados a “equilibrar as contas” retirando todos os diretos sociais da classe trabalhadora.

Mesmo os analistas mais estreitos e imediatistas já questionam como o novo pacto será capaz de criar empregos e salvar a economia européia. Economistas burgueses respeitados como os prêmios Nobel Joseph Stiglitz e Paul Krugman atacaram frontalmente as medidas como “desastrosas” por apenas abrirem o caminho para “mais recessão”. Ainda mais enfático, Peter Schwarz, do wsws.org, comparou a receita de Merkel às medidas do chanceler alemão Heinrich Brüning na década de 1930: em resposta à crise de 1929, Brüning aplicou medidas de austeridade que conduziram a uma espiral de recessão, levando o país ao colapso e abrindo caminho para a ascensão de Hitler.

Construir outro caminho!

O caminho dos ataques do capital internacional às condições de vida dos trabalhadores coloca na ordem do dia a construção de outro caminho: a agitação de um programa defensivo-transitório para unificar os trabalhadores de toda a Europa e de todo o mundo.

Antes de tudo, toda a classe trabalhadora mundial se vê obrigada a defender seu emprego e defender seu salário!

Contra as demissões:

ESCALA MÓVEL DAS HORAS DE TRABALHO!

Divisão das horas de trabalho entre os trabalhadores de cada empresa, sem nenhuma demissão e sem redução salarial!

Contra a carestia de vida:

ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS!

Reajuste mensal dos salários de acordo com o aumento dos preços dos itens de primeira necessidade!

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