MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS EDITORIAL VER CAPA DA EDIÇÃO #187

2012 PIOR QUE 2011

É preciso estar atento e forte!

F.M.

15/01/2012
É preciso estar atento e forte!

– O importante é que estaremos crescendo mais em 2012 do que em 2011.
G. Mantega
 

Alguns professores universitários, jornalistas, ministros e dirigentes sindicais, incrivelmente, insistem no otimismo.

Terminamos o ano, disseram eles, ultrapassando o Reino Unido, nos tornando o 6º PIB mundial. “A previsão do FMI é que em 2015 o Brasil será a quinta economia do mundo, ultrapassando a França. Acho que 2015 está bom, mas acho que pode ser um pouco antes”, nos disse o ministro da economia, Guido Mantega. Na velocidade em que crescemos, afirmou, é “inexorável que nós passemos a França e, no futuro, quem sabe, a Alemanha, se ela não tiver um desempenho melhor”.

Mas quem é esse sujeito, esse “nós”, muitas vezes oculto, presente no discurso? Quem “terminamos”? Quem “crescemos”? Quem passou o Reino Unido e pretende passar a França e a Alemanha?

O “Brasil” referido acima, que engloba a todos nós, é uma abstração. Dentro dele há, ao mesmo tempo, dois Brasis. Basta perguntar: o bolso do trabalhador cresceu quanto com o Brasil de Mantega? O otimismo da classe trabalhadora e as perspectivas da juventude se ampliaram com esse Brasil?

Marx já nos mostrou n'O Capital que, na atual fase do capitalismo, “a concentração de riqueza num polo é, consequentemente, ao mesmo tempo, acumulação de miséria, sofrimento no trabalho, escravidão, ignorância, brutalidade, degradação mental no polo oposto (...)". Ou seja, à medida que cresce a riqueza do Brasil, cresce a pobreza do Brasil.

Para os otimistas de plantão, trata-se de combater a teoria da pauperização crescente da classe trabalhadora, armados com a ilusão de um progresso ininterrupto. Para isso, todas as artimanhas são válidas. Toma-se um setor da classe trabalhadora por toda a classe trabalhadora, toma-se algo temporário por permanente, toma-se um aumento nominal nos salários sem levar em conta sua participação na riqueza nacional... Dados manuseados de forma parcial dão base às mais extravagantes defesas e, com as coisas fora das suas relações, se é possível defender praticamente qualquer coisa.

Na verdade, insistimos, para a esmagadora maioria da população, o Brasil é outro. Veja-se, por exemplo, o caso do salário mínimo. Como já divulgamos neste site, o salário mínimo atual equivale a cerca de 45% daquele de 1940, implantado por Getúlio Vargas. Na verdade, desde 1964, passando por todos os governos militares e ditos democráticos, a tendência geral de queda do salário mínimo sempre se manteve, apesar das momentâneas altas. Mesmo com o avultado Plano Real de 1994 ela não foi desfeita: em 1999 o salário mínimo, então em R$ 136,00, apresentou queda de 36,2% em relação a 1989.

Essas artimanhas oficiais com os dados, no entanto, não são um privilégio do nosso Brasil lulista. É um fenômeno mundial. Os EUA, por exemplo, saíram oficialmente da recessão em junho de 2009, de acordo com o governo Obama... mas fecharam 2011 com recorde histórico no tempo médio em que os desempregados vagam procurando trabalho: 12 meses!

No Brasil e no mundo todo o trabalhador está atento. Sabe dos ataques que o capital desfere. Sabe ou intui que está sendo enganado pelos charlatões agentes do capital. A desconfiança, aos poucos, se torna convicção.

Diante desses ataques, as condições objetivas para uma unidade mundial da classe trabalhadora estão cada vez mais dadas: os problemas dos trabalhadores são cada vez mais comuns e a uniformidade programática pela defesa dos empregos e salários se universaliza concretamente. No mesmo processo, a tendência de centralização do capital é cada vez mais forte e as forças socializantes da economia exercem uma pressão cada vez mais avassaladora sobre a (des)ordem capitalista.

Mas ainda estamos diante da encruzilhada... Falta o elemento subjetivo! Neste novo ano, é momento de decidir. É preciso estar atento e forte e assumir o novo rumo, a via da negação da negação! 

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