Mais uma vez, de forma covarde, no dia de hoje, a Polícia Militar serviu aos interesses da burguesia contra a classe trabalhadora brasileira. O fato é completamente revoltante: A PM invadiu o bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, onde moram 6 mil trabalhadores, para cumprir uma ordem de reintegração de posse. Os trabalhadores lutaram heroicamente, dando um grande exemplo à classe trabalhadora de todo o país.
O que ocorreu em Pinheirinho é muito grave. Assim como no caso recente de agressão a um estudante da USP, em que a autonomia universitária foi mais uma vez violada, a ação no Pinheirinho foi ilegal, rompendo o chamado estado de direito. A reintegração de posse havia sido suspensa pelo Tribunal Regional Federal e, constitucionalmente, o impasse jurídico entre os poderes estadual e federal deveria ser arbitrado pelo Superior Tribunal de Justiça. Diante disso, a OAB SP e a OAB Nacional condenaram a ação, chamando-a de “grave erro”. Advogados solidários aos moradores pediram a prisão da juíza estadual, que ignorou a liminar federal, e do Comandante da PM de SP.
O terreno em disputa, palco dos confrontos, é nominalmente de Naji Nahas, um dos maiores estelionatários brasileiros. Nos últimos 07 anos, após a ocupação por trabalhadores de São José dos Campos, importante reduto da indústria metalúrgica de São Paulo, o terreno passou a ser um símbolo de resistência.
Horas antes da intervenção, todo o perímetro no entorno da ocupação foi controlado pela PM, impedindo que qualquer um se aproximasse. Os celulares de dezenas de pessoas no local foram apreendidos para que não houvesse fotos ou fossem produzidos vídeos registrando a ação. A cobertura oficial da mídia foi parcial, ocultando toda violência policial. Segundo relatos dos moradores, houve balas de borracha e spray de pimenta de sobra, não sendo poupados crianças e idosos. Um homem ficou ferido por um tiro de arma letal, sendo encaminhado ao hospital. No entanto, estranhamente, a PM e a Guarda Civil Metropolitana negaram ter dado um único disparo com arma letal. Além disso, circulam até o momento notícias de centenas de feridos, 16 presos políticos e cerca de 10 mortos (número ainda não confirmado. Entre eles haveria uma criança de 1 ano e outra de 4 anos!).
Os tratores já entraram em ação, demolindo o barracão do centro comunitário do bairro e uma Igreja. Agora avançam sobre as casas. A população expulsa se encontra completamente desamparada, em abrigos improvisados (cujos endereços, segundo a prefeitura, “não seriam divulgados por questão de segurança”). Outra parte foi jogada sob vinte tendas provisórias armadas sobre a lama e sem proteção lateral. A instalação dessas tendas teria ocorrido na quinta-feira, revelando o caráter premeditado da ação policial. Há diversos relatos de violência da GCM no terreno das próprias tendas, usando bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha contra moradores revoltados com a situação. Um fotógrafo teria sido espancado.
Em resposta a tudo isso, cerca de 300 manifestantes pararam a rodovia Presidente Dutra por cerca de 30 minutos e manifestações ocorreram em diversas cidades do país. Em São Paulo, cerca de 800 manifestantes convocados em menos de três horas enfrentaram a chuva para prestar solidariedade aos moradores, parando a Avenida Paulista.
A ação em Pinheirinho, somada aos recentes acontecimentos na USP e na região da Luz, região Central de São Paulo, para além de qualquer argumento retórico, revelam uma nova onda de repressão por parte da burguesia contra a classe trabalhadora e a juventude. Basta lembrarmos as declarações do Reitor da USP, João Grandino Rodas, na época da desocupação da Reitoria, sobre a sociedade estar “farta de invasões”. Rodas queria dar um exemplo do que deveria ser realizado em toda a sociedade. Agora, seu exemplo parece estar sendo seguido.
Sancionando as ações na USP, na Luz e no Pinheirinho, o governador Geraldo Alckmin parece querer traçar seu perfil para as eleições presidenciais de 2014, buscando se diferenciar do PT. Se diferencia, no entanto, pela via do fascismo. Por outro lado, o que o PT oferece com uma mão, retira em dobro com a outra. Se hoje são possíveis tais ofensivas contra a classe trabalhadora e a juventude é porque os principais sindicatos e entidades estudantis do país, guiados pela burocracia petista, voltam as costas para a luta de classes. Nunca é demais lembrar que, através das UPPs, PT e PMDB “pacificam” os morros cariocas, com o uso exército contra a população civil.
Quais são os limites da repressão por parte do Estado burguês? Pressionado pela crise mundial, sem um projeto de país, sem um projeto de futuro, tomado pela corrupção e a falência das instituições, podemos dizer que os limites são aqueles do fascismo – avançamos para uma ditadura branca!
2012 precisa ser o ano da virada! Defender, defender e defender os companheiros de Pinheirinho, da USP, da Luz! Não à repressão! Não à militarização da sociedade! Lutar pelo livre direito de organização e expressão nas fábricas, terrenos ocupados, escolas e universidades de todo o país! Lutar pelos direitos democráticos mínimos! Lutar pela manutenção das condições de vida!
RESISTIR, RESISTIR E RESISTIR!
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