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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS INTERNACIONAL VER CAPA DA EDIÇÃO #53

FRANÇA

Greve e ocupação da fábrica da FCI chegam ao 45º dia

Antoine Lerougetel e Kumaran Ira, do wsws.org

13/04/2009

Duzentos operários da fábrica da FCI Microconnections, em Mantes-la-Jolie, nos subúrbios de Paris, estão em greve em defesa de seus empregos e já ocupam a fábrica há 45 dias. Eles representam metade dos 400 operários da planta.

A ameaça aos empregos na fábrica é parte de um processo internacional de corte de custos que envolve, na França, o fechamento da planta da FCI em Ferté-Bernard, com corte de mais de 280 postos de trabalho e de 90 cargos similares na filial de Besançon.

A FCI é uma companhia global que projeta, fabrica e fornece equipamentos eletro-eletrônicos. Emprega 12.500 pessoas em 30 complexos de produção ao redor do mundo. Possui cinco fábricas na França, onde emprega 2.000 trabalhadores. Em 2005 foi vendida pelo grupo do setor de energia Areva à Bain Capital, firma privada estadunidense de investimentos (a Bain Capital pertence a Mitt Romney, que tentou se candidatar a presidente dos EUA em 2008 pelo Partido Republicano)

Os trabalhadores iniciaram a greve em Mantes-la-Jolie em 24 de fevereiro. Eles suspeitavam que a companhia pretendia realocar sua produção de cartões-inteligentes para Singapura, onde abriu uma fábrica similar em 2002.

A companhia ainda não fez qualquer anúncio sobre seu plano de restruturação na planta de Mantes-la-Jolie. Em uma declaração em 26 de março, a administração disse: “Não há qualquer plano de realocação”. Além disso, prometeu não cortar empregos em 2009 e 2010.

Entretando, os trabalhadores mantiveram suas suspeitas. A produção na fábrica declinou gradualmente desde 2007. Em sua projeção para o primeiro trimestre deste ano, a companhia estimou que o complexo está super-empregando funcionários. Em 16 de fevereiro, a empresa anunciou maiores medidas restritivas: congelamento nas contratações, fim dos contratos de trabalho temporário e adiamento dos aumentos salariais.

De acordo com a CGT (Confederação Geral do Trabalho, vinculada ao Partido Comunista Francês), principal sindicato da planta de Mantes-la-Jolie, a produção aumentou em Singapura desde meados de 2008. “Dois terços das encomendas são produzidos em Singapura e um terço na França, o que afeta os resultados da fábrica francesa e, em última análise, deve levar a cortes nos empregos”, disse um porta-voz do sindicato.

Em 30 de março, quando os representantes do sindicato negociavam com os chefes da FCI na administração da empresa, cerca de 100 grevistas de Mantes-la-Jolie detiveram três diretores por quatro horas em uma tentativa de forçá-los a revelar os planos da companhia. Ao mesmo tempo em que reiteravam as declarações anteriores, de que os empregos na fábrica estariam seguros em 2009 e 2010, os diretores, contraditoriamente, se recusaram a dar qualquer garantia estável aos trabalhadores.

Um operário disse aos diretores: “A vida não pode ser reduzida a 2009-2010. Temos nossas vidas inteiras para viver.”

Um relatório reproduzido no Médiapart em 16 de abril revelou um documento administrativo interno confirmando os maiores temores dos trabalhadores: a companhia planejava impor um plano de demissões em novembro e se preparava ativamente para contornar a greve que resultaria disso. A companhia acreditava até novembro que, com a fábrica de Singapura, coseguiria manter seus lucros. O documento também revelou que a administração planejava remover o delegado da CGT, Eric Scheltienne, com a instrução: “Pressão sobre os sindicatos — se livrem do Eric”.

A situação explosiva criada pelas revelações levou o oficial regional do governo, o préfet, a pedir que os empresários e representantes sindicais mediassem a luta entre operários e chefes.

Os sindicatos, liderados pela CGT, apenas reivindicam a negociação das condições das demissões e pedem que a produção seja mantida na planta de Mantes-la-Jolie, em vez de ser alocada para Singapura. Na verdade, não assumem nenhuma medida para conter as demissões.

Em 23 de março, depois de um mês de greve, o delegado da planta de Mantes-la-Jolie, Eric Scheltienne, disse ao Le Monde, “Queremos negociar grandes compensações no caso de um plano de demissões futuro. Porque amanhã, quando Singapura tiver o controle de todo o processo, não estaremos mais em uma forte posição de barganha para fazermos isso.”

Apenas a recusa dos trabalhadores em aceitar a negociação pelos sindicatos de qualquer perda de emprego, com uma luta para defender os empregos dos trabalhadores que perpasse todas as localidades e fronteiras nacionais pode unificar a classe trabalhadora. Em toda fábrica e local de trabalho os trabalhadores precisam desenvolver organizações de luta de classes independentes dos sindicatos, vinculando-se a outras seções da classe trabalhadora sobre a base do internacionalismo socialista, da reorganização da economia sob o controle democrático dos trabalhadores e da rejeição de todas as tentativas de dividir os trabalhadores e fazê-los pagar pela crise.

[traduzido por movimentonn.org]