MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
BUSCA OK
~~!
MNN

“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS COMITÊS MNN VER CAPA DA EDIÇÃO #88

Eleições 2010

Os “socialistas” nas eleições presidenciais de 2010

Rodrigo Brancher

13/12/2009
Os “socialistas” nas eleições presidenciais de 2010

O ano ainda nem começou e as convenções partidárias que definirão as candidaturas estão longe de ocorrer, mas uma série de pré-candidatos às eleições presidenciais já estão diariamente dando declarações na grande imprensa e costurando suas alianças para enfrentar o processo eleitoral de 2010. Aécio Neves, José Serra, Dilma Rousseff, Ciro Gomes, Marina Silva, Zé Maria... Entre estes, é sabido que muitos representam diretamente os interesses da burguesia e do grande capital internacional, estejam no governo ou na “oposição”. No entanto, outros dizem que é preciso formular um novo projeto para o Brasil e chegam mesmo a falar em socialismo, inclusive no nome de seus partidos. Mas o que esses partidos propõem? Ou melhor: por onde andaram eles nos anos não-eleitorais?

O PV DE MARINA SILVA

Uma cadidata erguida como grande novidade pela imprensa burguesa é Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula e ex-militante do PT, que pouco mais de 3 meses se filiou ao Partido Verde justamente para ser lançada como candidata à presidência em 2010.

O PV e Marina Silva tem se esforçado para construir a imagem de uma candidatura que defende um projeto de ‘desenvolvimento sustentado para o Brasil’, falando na preservação da floresta amazônica e num crescimento econômico que não destrua o meio-ambiente.

No entanto, algumas semanas após a entrada de Marina Silva no PV, uma série de empresários se filiaram ao Partido Verde, manifestando apoio à pré-candidata e expressando seu interesse em compor a chapa. É o caso, por exemplo, de Guilherme Leal, presidente da Natura –a maior fabricante de cosméticos da América Latina– e de Roberto Klabin, diretor da Klabin Celulose, uma das maiores fabricantes de papel do mundo. Ambos são cotados para concorrer à vice-presidência na chapa de Marina Silva. Fica evidente, portanto, que a ‘defesa da floresta’ e do ‘desenvolvimento sustentável’ não passa de mera propaganda ideológica que, na prática, se transforma numa ótima ferramenta para as empresas aumentarem vertiginosamente seus lucros, às custas dos trabalhadores –e da floresta!

O “SOCIALISMO” DO PSB DE CIRO GOMES, COMPANHEIRO DA FIESP

Outro nome que procura se levantar como oposição ao governo Lula e tem aparecido falando em socialismo é o de Ciro Gomes, vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro. Apesar do discurso que tem aparecido com frequência nas campanhas do partido –defedendo os trabalhadores, a educação e governos participativos– na prática o PSB de socialista não tem absolutamente nada. Basta lembrar que o partido é parte da base de sustentação do governo Lula, ocupa a cadeira do Ministério de Ciência e Tecnologia e tem entre seus membros ninguém menos que Paulo Skaf, presidente da FIESP –a Federação das Indústrias de SP– que deverá sair candidato a governador de SP caso Ciro Gomes realmente concorra para a presidência. Vemos bem como o “socialismo” do PSB pretende “defender os trabalhadores”, tendo como camarada o presidente da maior organização patronal do país!

O PCdoB GARANTE A ‘ESTABILIDADE’ DO GOVERNO LULA

Outra legenda que não lançará candidatos mas merece ser comentada é o Partido Comunista do Brasil, o PCdoB. Base direta do governo Lula, o partido já declarou que apoiará Dilma em 2010. Apesar de ter comunismo em seu nome, esse partido há anos desenvolve uma prática que está absolutamente distante da luta dos trabalhadores. Na verdade, além de ocupar a cadeira do Ministério do Esporte, o PCdoB é fundamental para sustentação do governo Lula por controlar importantes aparatos sindicais no país, além de há anos dirigir a UNE. Através deles, o PCdoB constrói reivindicações e falsas mobilizações que servem apenas para distrair os trabalhadores e os estudantes –como a redução da carga tributária e a ‘luta’ pela meia-entrada–, sempre evitando as greves e mobilizações que poderiam ameaçar a ‘estabilidade’ do governo. Foi o caso, por exemplo, em todas as greves recentes nos Correios, realizadas pelos trabalhadores em defesa de seus salários, frequentemente contra o desejo do sindicato, que em São Paulo é controlado pelo PCdoB.

A FRENTE DE ESQUERDA DE 2006 SE DESMANTELOU: PARA ONDE VÃO PSOL, PSTU E PCB?

Além destes, temos ainda os partidos que em 2006 formaram uma suposta frente “de esquerda”. Todos eles tem o socialismo em seu nome, mas sua prática cotidiana se afasta, dia após dia, dos trabalhadores e, portanto, do socialismo.

O PSOL, que em 2006 lançou a candidatura de Heloísa Helena como uma suposta alternativa à polarização PSDB x PT, este ano abriu mão completamente de concorrer à presidência por conta da entrada de Marina Silva, do PV, no pleito. A direção do PSOL sinaliza claramente que apoiará a chapa do PV, mesmo sem ter direito à vice –que ficará com um empresário–, como já declararam Marina, Penna (presidente do PV) e a própria Heloísa. Essa evolução do PSOL demonstra, claramente, o que já se podia ver desde sua fundação: um partido sem programa claro, de formação centrista, só poderia evoluir para políticas oportunistas e de direita, como é o caso da aliança que provavelmente será selada para 2010, envolvendo o PV e o grande capital.

Com o desmantelamento da Frente, o único partido que não anunciou posição foi o PCB. Isolado, os “comunistas” brasileiros defendem que seja formulado um novo programa para o Brasil, criticando a provável aliança do PSOL com o PV. No entanto, não há qualquer esboço de o que seria este programa, mas se tomarmos por base o enorme abismo entre o discurso de suas resoluçõe partidárias e os materiais que seus militantes distribuem no movimento sindical e estudantil, certamente veremos que, na prática, o PCB realiza um programa de concilação com as burocracias, evitando a luta e as mobilizações.

No caso do PSTU, o único destes partidos que realmente possui uma base operária, de trabalhadores, a evolução do PSOL os obrigou a lançar uma pré-candidatura própria, a de Zé Maria. No entanto, mesmo com todas as inquestionáveis demonstrações do PSOL de que é um partido centrista e conciliador, que não defende os interesses dos trabalhadores, o PSTU ainda assim deposita esperanças no PSOL e declara publicamente que a pré-candidatura é apenas uma forma de presssionar o PSOL a voltar atrás na sua decisão de não ter candidato próprio. Na prática, portanto, o PSTU abre mão da defesa de qualquer programa e, mais uma vez, chama o PSOL a fazer uma Frente centrista, que não é expressão da luta dos trabalhadores.

O QUE FAZER? QUAL A SAÍDA?

Na realidade, todos esses partidos representam, em diferentes graus, interesses privados e particulares, quando não diretamente burgueses. Apesar dos nomes e às vezes do discurso de “socialistas”, um olhar sobre os seus programas demonstra que eles não merecem seus nomes. Seus programas, no fundo, ou são expressão dos interesses da burguesia e do grande capital, ou são fruto dos interesses particulares e privados de suas burocracias sindicais e partidárias.

Pensamos que a questão fundamental é e sempre foi a questão do programa. E é por isso que, desde 2008, o MNN luta contra todas essas catástrofes políticas que insistem em se chamar “socialistas”, lutando para construir um novo partido, verdadadeiramente dos trabalhadores. Este partido, no entando, só é possível baseado na defesa de um programa de luta pelos direitos mínimos da classe trabalhadora e da juventude! Por isso é que sempre o MNN ergue a bandeira das escalas móveis e da luta contra a repressão, defendendo esses dois direitos fundamentais: o direito ao salário e ao trabalho; e o direito à liberdade de organização e manifestação. Em cada porta de fábrica, em cada distribuição de jornal, em cada manifestação estudantil é isso que o MNN procura construir: um programa de luta para os trabalhadores, um programa de luta por um novo futuro!

Sem essa luta, sem este programa, tudo são apenas palavras ao vento, enquanto a humanidade caminha para a barbárie capitalista absoluta.

CONTRA OS FALSOS SOCIALISTAS,
CONSTRUIR UM NOVO PARTIDO!
CONSTRUIR O MNN!