Mais de 80 militantes do MNN estavam ontem (20 de março) na Praça Ramos, centro de São Paulo, em ato que marcou o início da campanha de legalização deste ano. Bandeiras, maracatu e, principalmente, a agitação na caixa de som sobre a falência total dos partidos chamaram a atenção para o recolhimento de cerca de 3500 assinaturas.
“O ano de eleição presidencial é uma oportunidade pra gente entrar com o nosso programa. A abertura das pessoas é muito maior pra construção de um novo partido, porque a falência dos partidos que já estão aí todo mundo vê e reclama”, afirma o presidente nacional do MNN, Rodrigo Brancher.
O caminho para a coleta das 500 mil assinaturas tem funcionado também como uma forma de aproximação com a população, que se interessa e, em muitos casos, discute sobre o programa do MNN e o cenário político.
“É óbvio que o governo Lula não atendeu à demanda da população. E você votar no PSDB é votar no desemprego. Eu acho que pra você mudar radicalmente é preciso a ruptura do capitalismo. E a Dilma também vai fazer o jogo do capitalismo. O Lula também não rompeu”, desabafa Flávio Mendes, 53 anos, que assinou em apoio à legalização.
Militantes de outras cidades também participaram, como o professor Carlos P., 24 anos, de Campo Grande (MS). “A gente percebe que a luta dos trabalhadores é a mesma lá e aqui. Pelo emprego, pelo reajuste de salário. Também fazemos brigadas de coleta de assinatura no centro de Campo Grande, mas aqui tem a vantagem de abordar mais pessoas”, diz Carlos.
Outros foram às ruas com o MNN pela primeira vez, como o estudante Vladimir Guimarães, 26 anos, que participa do comitê Butantã. “Aqui você está em contato com as pessoas, e você sente na pele a indignação, não só com a corrupção, mas com a crise econômica, o desemprego. Hoje eu tô vendo como é construir com os trabalhadores mesmo. E a receptividade é boa. Hoje eu entrei de cabeça, coloco a sigla e assino em baixo”, afirma.
Sair do movimento estudantil para as ruas – caso de Vladimir – também surpreende os que estão de fora. O estudante Bruno Sanches, 25 anos, assinou em apoio à construção do novo partido, pegou o jornal Transição Socialista e já quer participar do MNN.
“Faço Ciências Sociais na UNESP de Marília e lá a gente vê a dificuldade das idéias ultrapassarem os muros da faculdade. Assinei porque acho que isso que vocês estão fazendo na rua é inovador mesmo. A gente tá vendo aí o pessoal conversando com todo mundo, e acho isso muito válido, até pra perceber as aflições das pessoas, na questão do trabalho e tudo”, diz Bruno.
A aproximação de novos militantes e a coleta de assinaturas deve aumentar neste ano, principalmente por ocorrerem as eleições, que acirram o debate político. “Ano passado, recolhemos entre 40 e 50 mil assinaturas. Neste ano, pretendemos chegar a 150 mil”, anuncia Rodrigo Brancher.
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