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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS COMITÊS MNN VER CAPA DA EDIÇÃO #111

ELEIÇÕES 2010

Crise interna expõe a falência do PSOL

Coordenação Geral do MNN

20/06/2010

Os episódios que envolveram a disputa entre os pré-candidatos à Presidência da República do PSOL demonstram a extrema fragilidade organizativa e a total incapacidade desse partido de manter a sua unidade interna.

A candidata natural do PSOL à Presidência da República seria a ex-senadora Heloísa Helena, uma das fundadoras do partido e que, sem dúvida, é a figura mais conhecida nacionalmente, tendo sido candidata nas últimas eleições de 2006 pela frente entre o PSOL, o PSTU e o PCB. No entanto, para essa eleição de 2010, Heloísa Helena não aceitou se candidatar à Presidência da República, preferindo uma candidatura ao Senado, passando a defender que o PSOL não lançasse candidato, mas apoiasse a candidata do Partido Verde, Marina Silva.

No entanto, a posição de Heloísa Helena não foi aprovada pela maioria da base do partido, que preferiu lançar candidato próprio.

Com isso, iniciou uma acirrada disputa interna entre três pré-candidatos, Plínio de Arruda Sampaio, apoiado principalmente pela APS (Ação Popular Socialista, de Ivan Valente, o último grupo a sair do PT, um grupo que continuou até o fim com o partido dos traidores). Por outro lado, existiam grupos como o Enlace, vinculado diretamente a Heloísa Helena. Existia ainda um terceiro candidato, o inexpressivo Babá, da CST, que não significava nada, apenas um apoio pseudo-trotskista a Plínio, da Democracia-Cristã.

Junto a Heloísa Helena, estava Martiniano Cavalcante, que militou no PCB, na Convergência Socialista, foi fundador e fez parte da direção do PSTU, criando ao mesmo tempo o MTL.

A candidatura de Plínio, vencedora na convenção, não foi capaz de dar unidade ao partido, levando a uma série de confusões absurdas dentro da luta política da esquerda brasileira.

Representantes de diversas correntes, como Luciana Genro, do MES (Movimento Esquerda Socialista) e a própria Heloísa Helena, declaram abertamente, ainda hoje, não apoiar a candidatura de Plínio, que por sua vez, chega a pedir o afastamento de Heloísa Helena da presidência do PSOL. É evidente que dificilmente se formará um movimento para retirá-la da presidência, mas tudo isso demonstra que a crise interna se aprofunda, fugindo cada vez mais ao controle da direção nacional do partido.

Essa crise do PSOL é, na verdade, inevitável. Suas causas estão ligadas às contradições internas, que existem desde a origem do PSOL.

O PSOL, fundado em 2004, a partir de dissidências do Partido dos Trabalhadores (PT), com embasamento no movimento meramente do funcionalismo, sem a base que o PT teve no movimento dos metalúrgicos nas greves de 78-80, nunca deixou de ser uma aglomeração sem princípios, um grupo pequeno-burguês.

Somente é possível dar a um partido um caráter de combate e torná-lo capaz de conduzir o proletariado a vitórias na luta de classes por meio de uma rigorosa unidade programática. Um agrupamento de tendências, sem qualquer construção de uma unidade programática, teórica, não pode construir um partido da revolução mundial.