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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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CENTRO-OESTE

Corrupção e truculência caracterizam os candidatos ao governo

Conselho de Redação

15/08/2010

Os trabalhadores do Mato Grosso do Sul mostram-se completamente desiludidos com as eleições para o governo do estado. A disputa a se realizar em outubro traz dois velhos conhecidos do eleitorado de MS: de um lado, André Puccinelli (PMDB); do outro, Zeca do PT. Ambos dizem-se adversários políticos, ainda que fundamentalmente seus planos de governo não tragam diferenças essenciais. Na essência parece haver mais semelhanças do que diferenças.

André Puccinelli é o atual governador do estado e concorre pela reeleição. Entre suas características mais marcantes estão o autoritarismo e a truculência, que ficaram nacionalmente conhecidas no episódio contra o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, quando o ilustre governador declarou que o ministro era “veado e maconheiro”, acrescentando ainda que “o estupraria em praça pública”, tudo em resposta a uma declaração de Minc que dizia ser contrário à instalação de novas usinas de álcool no Pantanal.

Mas a principal característica de Puccinelli e de seu governo, sem dúvida, são as dezenas de denúncias de corrupção e outras ações ilícitas que se acumulam ao longo de sua carreira política. Em 1996, quando foi eleito prefeito de Campo Grande, foi denunciado por compra de votos, mas a investigação e o processo foram arquivados; no mesmo ano, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e licitações falsas. Uma das denúncias versa sobre um desvio de mais de R$ 4 milhões das obras do córrego Bandeiras, que teriam sido executadas por uma empreiteira formada por dois garis municipais, evidentemente utilizados como “laranjas”, o que valeu ao caso o apelido de “laranjoto”, em alusão ao nome do Secretário de Obras do estado, Edson Girotto.

Zeca do PT,  um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores no Mato Grosso do Sul, não possui uma ficha muito diferente. Durante dois mandatos no comando do estado do MS, Zeca acumulou também dezenas de denúncias e escândalos de corrupção, deixando o governo com uma avaliação tão negativa que ele próprio optou por ficar 4 anos afastado da “vida pública”. Improbidade administrativa, peculato, uso de documentos falsos e despesas superfaturadas com agências de publicidades e gráficas são as mais constantes nas denúncias.

Já no primeiro ano de governo, Zeca foi acusado de usar a gráfica do governo do estado para confeccionar material publicitário e desviar parte dos R$ 57 milhões destinados ao gasto com publicidade. Ao todo, segundo o Ministério Público, aproximadamente R$ 180 milhões saíram ilegalmente das verbas destinadas à publicidade oficial do governo do estado durante a sua gestão. Outra denúncia que pesa sobre seus ombros é a do “mensalinho” que pagaria a 33 pessoas para que dessem cobertura favorável a seu governo, desviando cerca de R$ 30 milhões. Entre os nomes dos beneficiados estavam dirigentes locais do PT, alguns parentes e jornalistas. E, no apagar das luzes, a 11 dias do final de seu último mandato, Zeca orquestrou a realização de uma votação secreta na Câmara Legislativa, aprovando o pagamento de uma pensão vitalícia de R$ 22,1 mil por mês para os ex-governadores do estado.

Está claro que nestas eleições não existe qualquer alternativa para os trabalhadores do MS. Nestas eleições, eles deverão escolher entre dois candidatos corruptos, com uma vasta carreira política, repleta de escândalos e denúncias de todos os lados. Tal processo evidencia a decadência absoluta da democracia burguesa e o seu completo fracasso, mostrando a urgência da construção de uma nova perspectiva, que seja uma real defensora dos interesses dos trabalhadores.

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