Enquanto milhares de pessoas foram às ruas em todo o país no dia 30 de março para protestar contra as demissões – que já somam quase 1 milhão em todo o país desde o início da crise –, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC continua a dizer que a crise é coisa do passado. Em vários números de seu jornal, A Tribuna Metalúrgica, manchetes e reportagens tentam passar a idéia de que a economia está se recuperando. Pior, nos dias anteriores à manifestação do dia 30, a Tribuna dava destaque não para o ato, mas para o lançamento de uma campanha pela abertura dos arquivos da ditadura.
A TÁTICA É ESCONDER A CRISE E DESMOBILIZAR OS TRABALHADORES
Para que esconder a crise do peão? Escondendo a crise o sindicato faz acordo de “parceria” com as empresas por trás das costas do peão. Já vimos desde 2008: as empresas ameaçam demitir e o sindicato faz acordo, mas o acordo quase sempre prejudica o peão.
Agora, o sindicato comemora a retomada da venda de carros com a redução do IPI como se isso fosse uma garantia de emprego para os trabalhadores. No dia 1º de abril a redução foi prorrogada. E o que aconteceu no dia seguinte? A montadora Peugeot anunciou novas demissões, cerca de 250.
A Ford, nas suas três unidades do Brasil, já está com o PDV aberto e o sindicato mais uma vez comemora. Declaração deles na imprensa: “A implementação do plano pode ser vista como positiva, pois vai embora quem quer”. Como se todo mundo não soubesse que depois das demissões “voluntárias” vêm as indicadas. É exatamente essa a situação da Mercedes, sem completar as 1.000 demissões do PDV, os trabalhadores da montadora estão apreensivos sobre o seu futuro.
“AGENDA” PARA INGLÊS VER
Para combater os efeitos da crise, o sindicato não organizou nenhuma única greve, mas organizou um seminário, no início de março. Estavam presentes governo federal, governo local, sindicalistas e empresários da região. O seminário iniciou com a fala de Sergio Nobre: “A intenção do encontro é criar uma agenda positiva que reúna trabalhadores, empresários e os governos municipal, estadual e federal”. De lá saiu uma carta com inúmeros pontos que a única coisa que não se via era a garantia irredutível do emprego dos trabalhadores.
PARA OS TRABALHADORES A ÚNICA SAÍDA CONTRA AS DEMISSÕES É A LUTA!
A luta organizada pelos trabalhadores no chão da fábrica é a única saída contra as demissões.
Nesse sentido, o único programa para todos os trabalhadores do mundo é aquele que permite a garantia da sustentação do poder de compra dos salários atuais e a garantia de nenhuma demissão.
Esse programa é simples e claro.
Para a manutenção do poder de compra dos salários, todos os trabalhadores do mundo podem reivindicar de maneira unificada o reajuste mensal dos salários de acordo com a elevação dos preços dos alimentos fundamentais da classe trabalhadora.
Para a manutenção dos empregos, para a manutenção do direito mínimo ao trabalho, os trabalhadores de todo o mundo podem reivindicar conjuntamente a escala móvel das horas de trabalho. Trata-se de uma fórmula simples: dividir todas as horas existentes, em determinado momento, numa fábrica determinada, pelos trabalhadores existentes. Isso significa demissão zero.
UM PROGRAMA ÚNICO PARA TODOS OS TRABALHADORES DO MUNDO!
CONTRA O REBAIXAMENTO DOS SALÁRIOS: ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS!
CONTRA AS DEMISSÕES: ESCALA MÓVEL DAS HORAS DE TRABALHO!
ABERTURA DOS LIVROS!
DEMISSÃO ZERO OU OCUPAÇÃO DAS FÁBRICAS FALIDAS!
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