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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #70

METALÚRGICOS

Patrões mascaram demissões, tribuna comemora ‘emprego garantido’

Conselho de Redação

10/08/2009

Volks: só divulga as contratações

Ao mesmo tempo que a Volks anuncia na imprensa a contratação de 200 trabalhadores, existe um novo PDV aberto. Desta vez o plano é direcionado para os mensalistas, a empresa diz que quer “enxugar seu quadro administrativo”, o sindicato diz que nada sabe. No início do ano um PDV especial já tinha sido aberto para os trabalhadores da ala 5, com a intenção de fechar essa ala.

Mercedes: o voluntário virou obrigatório

Na Mercedes o ano já começou com férias coletivas. Depois veio a licença remunerada, pra em seguida chegar o PDV. Para inicialmente empresa e sindicato diziam: “É só para os aposentados, na verdade é um benefício”. Mas os trabalhadores que foram pressionados para aderir sabem que a história não é bem essa. (leia entrevista com trabalhador da Mercedes abaixo)

Scania: licença remunerada, férias coletivas e PDV anunciam futuro incerto para os trabalhadores

Começou com a parada técnica, alguns dias com 100% da produção parada e os trabalhadores em casa, para ajustar a produção. Veio também a licença remunerada e as férias coletivas. O PDV aberto em maio já teve adesão de 350 trabalhadores, mas o objetivo da empresa é totalizar a adesão de 500. Na volta ao trabalho no início de julho a situação era de incerteza total. Depois de todas essas tentativas de ajuste da produção, o que os trabalhadores podem esperar?

Sindicato x Fatos: a crise passou?

A Tribuna Metalúrgica (jornal oficial do Sindicato dos metalúrgicos do ABC paulista) não dedica uma linha sequer sobre todos esses fatos. Pelo contrário, no final do mês de junho o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC comemorou com grande destaque em seu jornal: “Acordo do IPI é prorrogado. Emprego garantido!” De que emprego eles estão falando? Fazendo coro com o governo Lula eles afirmam que a redução dos impostos sobre os automóveis são uma garantia para os trabalhadores. A situação no chão da fábrica é bem diferente do que eles anunciam no jornal deles.

As demissões continuam, ainda que não apareçam como demissões em massa, a conta-gotas elas acontecem aqui e ali. Nas auto-peças, principalmente nas menores, as demissões ocorrem debaixo do nariz do sindicato e ninguém fica sabendo. Na matéria eles afirmavam que o governo agora estava ajudando também o setor de caminhões. Sobre a garantia dos empregos diziam: “Só poderá haver dispensas nos casos de justa causa, PDV, aposentadoria, de trabalhadores contratados por prazo determinado ou por acordos entre empresas e trabalhadores”. Ou seja, justamente as formas que estão sendo usadas pelas empresas: demitir e mascarar as demissões! Que garantia de emprego é essa?

Os dados sobre o número de empregos nas montadoras apenas comprovam o que o sindicato não quer ver ou faz questão de esconder: até agora, apesar de meses com o IPI reduzido, o número de trabalhadores apenas diminui! Sindicato comemora: alta na produção, a crise está passando!

Trabalhadores nas fábricas reclamam: “a sobrecarga da crise está nas nossas costas!”

Enquanto o número de trabalhadores dentro das fábricas apenas diminui, o sindicato comemora a alta na produção. O que eles não dizem é o que está por trás dessa alta: o sangue e o suor dos trabalhadores. A cada dia uma pressão maior é jogada nas costas dos trabalhadores, tendo como moeda de troca o “privilégio” de ter um emprego em plena crise.

Os trabalhadores precisam dar uma resposta!

A revolta cresce dentro das fábricas e o esforço do sindicato é cada dia maior para abafar a revolta e tentar falsificar a realidade. Se não defendem por nós, temos que tomar a ação de dentro de cada fábrica: Defender cada emprego, que não é um privilégio, e sim o único direito que nós temos hoje.

Trabalhador da Mercedes fala sobre o processo de demissões

MAISVALIA E como começaram as demissões?

Silas Na Mercedes tem 2 mil aposentados, trabalhando lá dentro. O cara se aposentava mas podia continuar empregado. Aí a empresa precisou dessa redução de mão-de-obra. Foi a primeira vez que ela falou que teria que demitir os aposentados.

MV Isso foi em abril?

Silas Isso. Mas a empresa sabia que não podia demitir 2 mil trabalhadores assim, depois sai na imprensa “Mercedes demite 2 mil trabalhadores”, porque a imagem dela vai lá embaixo. O que eles fizeram? Jogaram mil aposentados mais 200 caras que não eram aposentados junto.

MV Como eles fizeram isso?

Silas Eles abriram o PDV e começaram a chamar os cara. Eles ligavam em casa, fazendo o terrorismo, terrorismo mesmo, ligava pro cara e falava: “E aí? Vai vir pegar o pacotão? Vai vir pegar o pacotão?” Todo dia, todo dia. Aí deixaram esses caras 1 mês em casa, só estes 1.200. Aí parece que aderiram uns 900. Aí quando eles voltaram, trabalharam mais uns 10 dias e deram coletiva de novo pra eles. Quando eles voltaram agora, contrariando a medida do governo, que prorrogou a redução do IPI com a condição de não demissão, a empresa pegou e jogou esses 300 caras junto que não tinha aderido o PDV. Aí eles lançaram no jornal que 1200 trabalhadores aderiram o PDV da Mercedes. Mas não foram 1200, só 900 aderiram, 300 foram demitidos mesmo. E a comissão ficou quietinha! [leia a entrevista na íntegra na MAISVALIA 6, para saber mais sobre a revista acesse www.maisvalia.org]