MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
BUSCA OK
~~!
MNN

“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #78

METALÚRGICOS

CUT dá marcha à ré e vexame

Conselho de Redação

05/10/2009
CUT dá marcha à ré e vexame

Central fez trabalhadores do ABC assinarem pior reajuste do país. Em Taubaté, pressão dos operários fez CUT dar marcha à ré. “Ninguém mais leva a sério esses puxa-saco do Lula”, disse peão do ABC.

A campanha salarial dos metalúrgicos surpreendeu esse ano. O primeiro acordo salarial foi fechado em São Bernardo do Campo após duas manifestações feitas nas montadoras. O sindicato responsável pela negociação, como todos sabem, é o berço do presidente Lula. E, não por acaso, eles correram para fechar o acordo e comemorar.

TRIBUNA DIZ: ACORDO COM MONTADORAS É O MELHOR DO BRASIL

O acordo fechado foi de 6,35% mais 1.500 reais de abono. Depois de uma assembléia cheia se comparada aos outros anos, mas sem qualquer questionamento da proposta feita pelas empresas, o sindicato saiu comemorando em todos os cantos: “Esse acordo foi o melhor do Brasil e vai ser exemplo para as campanhas salariais de todo o país”, disse o presidente Sérgio Nobre.

Já prevendo todas as campanhas salariais que estavam por vir –metalúrgicos de todas as regiões do Brasil, Correios, Petrobrás, bancários– o sindicato se apressou para garantir a “estabilidade” do presidente Lula. De certa forma, o sindicato antecipou o que Lula diria alguns dias depois para os carteiros grevistas: “é preciso ter coragem para terminar uma greve”.

EXEMPLO FRACASSA: GREVES SE ESPALHAM POR TODO O PAÍS

Mas o discurso da CUT, expresso nas falas e jornais do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, não foi levado a sério. Na semana seguinte, metalúrgicos do Paraná entraram em greve, recusando proposta similar à aprovada pelo sindicato do ABC.

Depois foram os trabalhadores da GM de São José dos Campos e São Caetano que pararam. Nesses mesmos dias, carteiros estavam parados em todo o país e bancários já ameaçavam iniciar uma greve.

O MELHOR SE TORNOU O MENOR

Depois de todas essas greves, todos os acordos de reajuste salarial fechados foram maiores do que o “exemplo para o Brasil”. Na GM, o reajuste foi de 8,3% e 1.850 reais de abono. A Volks do Paraná, depois de 17 dias em greve, fechou acordo também em 8,3% e 2.850 reais de abono. Os Correios fecharam em 9%, mas válidos para dois anos.

CUT DESMORALIZADA É OBRIGADA A VOLTAR ATRÁS

Taubaté, região também dirigida pela CUT, era o único local que havia levado a sério o exemplo de São Bernardo. Porém, dias depois, após os trabalhadores perceberem o quanto foram enrolados pelos sindicalistas, a pressão cresceu dentro das fábricas. Os trabalhadores iam cobrar dos sindicalistas, chegou ocorrer até empurra-empurra com a revolta dos trabalhadores: “fomos passados pra trás”.

Com a pressão dos trabalhadores o sindicato foi obrigado a abrir renegociação da proposta já aprovada. A exigência dos trabalhadores era um acordo no mínimo como o fechado na GM em São Caetano e em São José dos Campos. “O pessoal da fábrica está revoltado porque o sindicato poderia ter negociado aumento real maior”, era o que dizia um trabalhador da Volks em Taubaté.

PRESSÃO DOS TRABALHADORES DÁ NÓ NA CUT

Sem dúvida, todos os acontecimentos da campanha salarial deste ano são significativos. Em um momento de crise econômica mundial, a reação e revolta dos trabalhadores aponta um caminho para a superação: o mínimo tem que ser garantido!

Salário e emprego!

O único instrumento de luta é a mobilização e a greve! Abaixo os sindicalistas capachos do traidor Lula!

Abaixo os burocratas que só negociam e governam em favor de seus próprios interesses privados!