MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #86

PETROLEIROS

Acordo coletivo sem aumento salarial e com reposição dos dias parados na greve?

Conselho de Redação

29/11/2009

Mouro, petroleiro de São Paulo

A terceira proposta que a Petrobras apresentou para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) continua sendo uma provocação a nós trabalhadores. Além de manter as punições aos companheiros pela greve de março, a empresa concedeu como suposto “avanço” o pagamento de metade dos dias parados, desde que seja feito um “acordo” com o gerente imediato para combinar dia e horário da reposição. Isso é humilhação! Além de sermos punidos por termos feito greve, querem que a gente trabalhe 20 horas extras para receber como hora normal! Mas pior que isso é o reajuste salarial. A Petrobras dos lucros bilionários vai só repor a inflação, e o resto vai na RMNR, essa sopa de letrinhas de gratificação.

Nesse teatro, em cada cena a empresa vai soltando uma coisinha ou outra, aos poucos – como no caso do abono. Essa peça já deu o que tinha que dar. A FUP é um dos principais atores dessa tragédia. Nessa terceira rodada, a FUP começou a roer a corda falando que houve “avanços importantes” na proposta. Eles tentam colocar as punições como moeda de troca com a empresa para tentar empurrar para nós essas migalhas como se fossem uma vitória. Os diretores do triste espetáculo, Lula e Dilma (presidente do Conselho de Administração) são os únicos que estão gostando do roteiro.

Só temos uma forma de dobrar a intransigência da Petrobras e fazermos com que esse ACT garanta o poder de compra dos nossos salários: mobilizar de verdade. Não com essas tais de “greve pipoca”, “kinder ovo” ou “operação padrão” que a FUP inventa para disfarçar sua aversão a greve. Precisamos fazer um forte movimento nacional unificado em todas as refinarias, plataformas e terminais. A FNP marcou para a próxima quinta-feira, 3.12, uma greve em todas as suas seis bases sindicais. A FUP não divulga o fato para os trabalhadores dos seus 11 sindicatos, e ainda por cima critica e deixa isolados os companheiros que estão lutando pelos seus direitos. Vamos mudar o roteiro e escrever nós mesmos o último ato dessa história!