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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #95

MOBILIZAÇÃO INTERNACIONAL

Alemanha, França e Inglaterra: trabalhadores do setor aéreo em greve

Conselho de Redação

28/02/2010

O setor aéreo, junto com as montadoras, começa a aparecer como um dos setores mais afetados pela crise econômica. As companhias de aviação do mundo inteiro enfrentam dificuldades em maior ou menor escala. Como sempre os patrões começam a descontar a crise nas costas dos trabalhadores. Nas últimas semanas os trabalhadores começaram a reagir.

A paralisação dos pilotos da alemã Lufthansa e dos controladores de vôos na França resultou em vários vôos cancelados, aeroportos fechados e prejuízos econômicos enormes, expressando a resposta dos trabalhadores do setor, na última semana de fevereiro, contra cortes de custos já anunciados.

ALEMANHA: GREVE CONTRA O REBAIXAMENTO DOS SALÁRIOS

Na maior greve da história da aviação alemã, 4 mil pilotos da companhia aérea Lufthansa demonstraram que estão dispostos a brigar pelos seus empregos e exigem a equiparação salarial entre todos do grupo. Eles também reivindicam aumento salarial de 6,4% e jornada de trabalho de no máximo 40 horas.

A Lufthansa, maior companhia aérea da Alemanha, tem a intenção de passar uma série de vôos para suas filiais, que contrata trabalhadores por salários mais baixos. Os pilotos da companhia, porém, não aceitam o rebaixamento de seus salários. Com a greve, a Lufthansa perdeu o equivalente a R$ 245 milhões!

FRANÇA: CONTROLADORES TENTAM BARRAR FUSÕES E DEMISSÕES

Já na França, a greve dos controladores de vôos mostrou a resistência dos trabalhadores contra um plano da DGAC (Direção Geral da Aviação Civil francês), que defende a fusão em um só sistema do controle aéreo da França, Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, com previsão para acontecer em 2012.

Atrás da aparente boa intenção, está o objetivo de reduzir em 20% os custos com o sistema de controle aéreo desses países. Isso fatalmente atingirá o emprego dos controladores. Eles também consideram que o governo francês não oferece garantia de que o setor continuará sendo público.

A greve iniciada no dia 23 de fevereiro, paralisou mais de 50% dos vôos dos aeroportos de Paris. Os controladores aéreos exigem a garantia de seus empregos.

INGLATERRA: GREVE DE TRIPULANTES PODE RECOMEÇAR

7.500 trabalhadores, ou 78% dos trabalhadores da British Airways, votaram por uma nova paralisação contra os cortes trabalhistas previstos pela empresa! A empresa anunciou um corte de 1.200 postos de trabalho e o congelamento dos salários por dois anos.