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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #95

METALÚRGICOS

No Brasil, Embraer se nega a dar reajuste aos metalúrgicos

Conselho de Redação

28/02/2010

Terminaram sem acordo todas as audiências para decidir na Justiça o reajuste salarial dos metalúrgicos da Embraer. A campanha salarial se arrasta desde novembro e até agora os trabalhadores receberam somente migalhas: 4,96% de reajuste incorporado aos salários, referente à “inflação oficial”.

Em 2009, com 5 mil metalúrgicos a menos que 2008 e com a meta para cumprir, a direção da Embraer acelerou o ritmo de trabalho e cobrou horas-extras. Com isso, os trabalhadores produziram 244 aeronaves e bateram o 3º recorde consecutivo de produção. Em troca, os metalúrgicos “ganharam” o aumento das doenças e lesões e nada de aumento salarial!

"É importante abrir os olhos que, nessa situação de crise econômica, o que está acima, custe o que custar, é o lucro do patrão e dos acionistas. Ela é incapaz de repartir esse lucro dando aumento aos trabalhadores”, comenta o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Hebert Claro.

A campanha será julgada, ainda sem previsão de data, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região de Campinas (SP), o mesmo que no início de 2009 não barrou as demissões de 4.200 trabalhadores pela empresa de aviões.

O Sindicato reivindica aos magistrados 13% de reajuste salarial, índice baseado nas demais campanhas salariais da categoria.

A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa a Embraer na Justiça, está propondo a redução da jornada com redução dos salários, corte de benefícios e banco de horas para os trabalhadores.