Dando continuidade à discussão sobre a implantação da dupla função de operador-mantenedor (ver no link abaixo), publicamos outra denúncia de trabalhador da Bacia de Campos, revoltado com o acordo entre o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro NF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP). Abaixo da carta do petroleiro, divulgamos carta-resposta do coordenador geral do sindicato, José Maria Rangel, que procura justificar a sua posição de apoio à proposta da empresa com o argumento de que a atividade de manutenção corria risco de ser terceirizada. A solução encontrada pelo sindicato, com evidente acordo da administração da empresa, foi a de empurrar a atividade para os operadores, aumentando a carga de trabalho e o risco de acidentes. O mais surpreendente na resposta de José Maria é que ele acaba confirmando, sem dar qualquer explicação, que o sindicato acertou com a empresa sem consultar os trabalhadores.
Carta do petroleiro
"A meu ver, para mudar o perfil dos operadores tem que haver uma negociação, aceitação com aprovação sindical. Não merecordo de haver visto nos boletins sindicais tais mudanças. A categoria fica sem uma informação e os prepostos falam que os dirigentes sindicais já acordaram com o RH tais mudanças. Posso acreditar nas informações dos prepostos? Será que teremos que ver afundar mais uma P-36, e ceifar mais vidas, por conta do PROJETO OPERADOR-MANTENEDOR? Fico aguardando esclarecimentos do Sindicato NF.
Resposta do dirigente sindical
"Camaradas, em primeiro lugar, vale a pena lembrar o que era o operador-mantenedor de 1997. O operador da área, além de operar, tinha que trocar lâmpada, engraxar bombas, limpar o chão e etc, independente da sua qualificação (elétrica ou mecânica).
Com o passar dos tempos, e aliado ao projeto operador-mantenedor, a carreira de manutenção na BR começou a ser desvalorizada e, por tabela, terceirizada e daí vieram os acidentes de P-36 , Baía de Guanabara e Paranaguá.
Após um embate duro de toda categoria e com a chegada do governo LULA ao poder e na gestão da BR, foi iniciado um processo de valorização da carreira de manutenção que embora tímido (travado por aqueles que queriam a terceirização) era perene.Começou então a acontecer o fenômeno do êxodo da manutenção para operação, pois a diferença salarial era de aproximadamente 30%, já que a manutenção não fazia o turno.
Esta fusão não é novidade na BR, pois em todas as sondas de perfuração próprias da BR já ocorre e a resposta é positiva, pois são respeitadas as especialidades de cada trabalhador, mecânico não faz serviço de elétrica e vice-versa.
O sindicato está pensando em primeiro lugar encorpar uma carreira (manutenção) que é visada pelos privatistas de plantão, que vivem querendo terceirizar a manutenção.
estaremos discutindo com a BR os efetivos e também a recusa daqueles que não quiserem ir para as novas atribuições, bem como o treinamento para quem não tiver.
Para concluir, sabemos que todas mudanças têm resistências, ainda mais se são divulgadas da forma que estão pelos prepostos da companhia, mas este processo não tem nada a ver com o operador- mantenedor de 1997.
Saudações, Zé Maria"
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