As conseqüências da greve dos professores paulistas continuam repercutindo na categoria. Publicamos esta semana uma carta de avaliação da greve, enviada por um professor de Campinas, que pediu para não ser identificado.
Crônica de uma derrota anunciada
Os professores do Estado de SP têm sofrido uma série de derrotas nos últimos anos, com a imposição das chamadas reformas educacionais, elaboradas pelo Banco Mundial, por parte dos seguidos governos do PSDB, que cumprem no nível estadual o mesmo papel que o governo federal petista na implementação de tais reformas.
Nesta última campanha salarial, a direção petista manipulou a categoria buscando causar prejuízo eleitoral à candidatura Serra, virtual adversário da campanha petista de Dilma/Lula à presidência.
Desde seu início, a campanha salarial foi encaminhada para que pudesse ser contida e encerrada quando o interesse (eleitoreiro) da direção petista do sindicato tivesse sido alcançado, como de fato ocorreu. O método da luta é determinado pelos objetivos da luta e a direção da APEOESP foi muito conseqüente com isso, impedindo desde o início que a campanha dos professores se transformasse num enfrentamento massivo contra as políticas privatizantes de Serra, já que isso poderia se transformar num enfrentamento com as mesmas políticas privatizantes aplicadas pelo governo Lula/Dilma.
Assim que Serra deixou o governo estadual a direção petista da APEOESP encaminhou a suspensão da greve e da luta diretamente na base da categoria, antes mesmo da decisão da assembléia geral, criando um fato consumado para os outros grupos políticos, o que deve ser tomado como experiência para os próximos enfrentamentos por parte destes grupos, já que a direção petista da APEOESP não tem mais qualquer tipo de pudor em sabotar as lutas diretamente na base se isso for considerado de interesse de seu partido, como foi o caso agora.
A política de recuo anunciado e encaminhado a priori pela direção petista, juntamente com a estratégia adotada desde o início de não massificar a luta contra o governo, reafirmou e reforçou a política de fragmentação da categoria (política que dizem ser contra), além de confirmar a ausência (eterna?) de dissídio coletivo para os professores.
Portanto, os professores de SP sofreram mais uma dura derrota categórica, o que poderá fazer com que demore muito tempo até que resolvam sair novamente à luta, o que é bastante conveniente para o projeto privatista implementado pelo governo petista a nível federal e que pretendem aplicar e reforçar também a nível estadual, seja por um novo governador petista ou mesmo por um tucano de plantão (como o Alckmin).
Assim, a derrota anunciada se concretizou e os construtores de derrotas (petistas que manipularam a categoria a partir do sindicato) saíram vitoriosos, se fortalecendo para seguir aplicando a fundo as chamadas reformas educacionais do banco mundial. Triste para os professores e para a população, alegria para o capital privado na educação e seus defensores petistas e tucanos.
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