Desde o dia 1º de maio, pilotos, co-pilotos, mecânicos e comissários de vôo da TAM reduziram suas atividades em 70%. Chamada de “Colaboração 0.30”, a ação dos trabalhadores pressiona a empresa a negociar melhores termos de Participação dos Lucros e Resultados (PRL), já que na última proposta, a TAM ofereceu ao trabalhador valor referente a 30% do seu salário.
Em nota do dia 05 de maio, o Sindicato Nacional dos Aeroviários indicou que os aeroviários também aderiram a “Colaboração 0.30”, se juntando à semi-paralisação dos aeronautas. Durante a semana, a TAM teve que lançar mão de planos de contingência para evitar o cancelamento e atraso maciço de vôos.
Ao todo, a TAM tem 7 mil trabalhadores aeronautas, que trabalhavam diretamente nos vôos, e 8.500 aeroviários, que trabalham nos escritórios da empresa de transporte aéreo.
PLR não é salário
Segundo o Sindicato Nacional dos Aeroviários, a PLR deste ano está associada a metas discriminatórias, inclusive a metas subjetivas como um índice de satisfação dos clientes. No início das negociações em abril, a TAM anunciou que daria 0% de PLR aos trabalhadores este ano, mesmo com o lucro líquido de R$ 1,3 bilhão. Os trabalhadores ficaram revoltados:
— Já não bastam os salários baixos, ainda vem uma bomba dessas!, afirmou um trabalhador da TAM em denúncia ao site do Sindicato de Aeroviários.
Aeronautas e aeroviários reclamam que há muita desigualdade salarial dentro da empresa.O pagamento da PLR é compreendido como um adicional, um bônus que não incide em encargos trabalhistas e, portanto, não muda o nível do salário.
Tanto é que os trabalhadores sabem disso, que recorreram a exemplos recentes de luta como a dos trabalhadores da companhia alemã Lufthansa, que lutam por salário. Lembrou um trabalhador ao Sindicato brasileiro:
— Espero que seja organizada uma greve como a da Lufthansa, que resultou em várias melhorias.
Aeroviários, organizar a luta contra as demissões!
Mesmo em relação ao pagamento da PLR, trabalhadores da TAM reivindicam ao Sindicato a organização de uma ação mais radicalizada que a “Colaboração 0.30”. Também em denúncia ao site do Sindicato os trabalhadores disseram:
— Mecânicos e tripulação deveriam parar e fazer uma greve geral. Com o avião no chão, o prejuízo vai ser muito maior do que se a TAM pagar a PLR.
— O que devemos fazer é entrar em greve, a TAM não respeita seus funcionários. Acham que somos máquinas, somos tratador feitos lixo.
Agora a situação é mais grave ainda!
A pedido da companhia aérea Azul, a Anac t(Agência Nacional de Aviação Civil) autorizou a redução do número de comissários por vôo. Segundo a agência, a redução não compromete a segurança do transporte.
Assim, se antes era necessário um comissário para operar cada porta a nível do solo, agora o trabalhador fica responsável por 50 assentos. Resultado: demissões na categoria e insegurança aos passageiros!
Algumas empresas já fazem testes para programar a redução. Apesar disso, a resposta do Sindicato Nacional de Aeroviários é pífia. Seus dirigentes convocam os trabalhadores para uma luta abstrata, conforme se evidencia em comunicado a seguir:
“Aeronautas, façam sua parte! Vamos lutar juntos para que isso não aconteça! Envie email para a ouvidoria da Anac ou para o Superintendente de Segurança Operacional, Carlos Eduardo Magalhães da Silveira Pellegrino, contestando a decisão da Anac. Envie email também aos deputados e senadores denunciando tal decisão e alertando dos riscos resultantes desta autorização.”
Alguma confiança de que deputados e senadores se sensibilizem e “protejam” a categoria? Alguma confiança de que a própria Anac voltará atrás de sua decisão? Ou quem sabe confiar no Superintendente de Segurança Operacional? Não, nenhuma confiança! O trabalhador só pode confiar em si próprios e nos seus companheiros, que serão os maiores prejudicados!
Trabalhadores da TAM e de todas as companhias áreas brasileiras e internacionais:
Lutar por salário e pela manutenção dos postos de trabalho! Exigir participação ativa dos Sindicatos na luta! Garantir a manutenção do nível dos salários e das condições de vida no atual posto de trabalho! Todo o resto são migalhas!