Com informações do WSWS
Trabalhadores chineses estão demonstrando ao mundo a revolta contra os baixos salários e as condições estafantes e degradantes de trabalho. Greves se espalham por todo o país, principalmente nas regiões exportadoras do sudeste e sul, conhecidas como “oficinas” do mundo. As manifestações contam com milhares de trabalhadores e se tornam constantes paralisações no setor produtivo.
“Trabalho na unidade de pintura. A qualidade do ar lá dentro é terrível. Eu estou inalando gases tóxicos há quatro anos e só ganho 1.800 yuans (o equivalente a 475 reais) por mês”, conta uma grevista da Honda Lock. A greve reivindicava 89% de aumento salarial pela jornada de 42 horas. As condições de trabalho nessa fábrica são absurdas: os trabalhadores não podem conversar uns com os outros e são vigiados quando saem para beber água ou ir ao banheiro. São obrigados a ficar todo o tempo da jornada de pé, incluindo as mulheres grávidas com até seis meses de gestação.
A situação não é muito diferente nas demais fábricas de autopeças e metalúrgicas. A própria Honda se viu obrigada a conceder reajuste de 32% aos trabalhadores de uma fábrica na cidade de Foshan. O objetivo era acabar com uma greve que zerou os estoques de peças de transmissão, obrigando a montadora japonesa a suspender por duas semanas a produção de quatro linhas de montagem.
Também se manifestam os trabalhadores da fábrica de borrachas para carros KOK, que entraram em confronto com a polícia numa manifestação com forte adesão entre os 2 mil trabalhadores da fábrica em junho. O protesto acabou com 50 trabalhadores feridos e 30 presos na capital de Taiwan, Taipé. Eles também exigem aumento dos salários e melhoria nas péssimas condições de trabalho.
A Foxconn, fornecedora da Sony, Apple e Nokia, mundialmente conhecida pelo suicídio de dezenas de trabalhadores nos últimos cinco meses, também anunciou em junho o aumento de 70% para os 800 mil trabalhadores, chegando a 522 reais mensais.
A Toyota também foi pressionada pela revolta dos trabalhadores. Foi obrigada a paralisar por um dia a produção de sua maior fábrica em razão da greve dos trabalhadores da autopeças Toyota Gosei. Outras fábricas registraram acontecimentos semelhantes.
Motivados pela luta dos companheiros com conquistas, cada vez mais trabalhadores confiam que a greve é o único caminho para conseguir melhores salários. O poder dos trabalhadores na China tem assustado os capitalistas, acostumados a pagar pouco pela força de trabalho dos chineses. Cresce também a insatisfação dos trabalhadores contra a Federação Nacional de Sindicatos da China (FNSC), braço do governo chinês para segurar os trabalhadores e assegurar os interesses das empresas.
Diante das pressões, os capitalistas cedem o que são capazes de ceder e aumentam insatisfatoriamente os salários. Assim, apenas adiam o confronto com a classe trabalhadora chinesa que começa a não se submeter à super-exploração.
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