Em cerimônia de um de seus programas de governo, o Minha Casa Minha Vida, no dia 16 de junho, Lula falou a favor do corte de ponto dos grevistas. Lula falava dos funcionários da Caixa Econômica Federal, que estão em greve, e, segundo o presidente, atrasou a execução desse projeto.
Segundo as palavras de Lula: Greve é guerra, greve não é férias. De fato, essa frase isoladamente está totalmente correta. Mas, Lula usa isso como retórica para, logo em seguida, defender que os trabalhadores não devem reivindicar o pagamento dos dias parados.
Lula, mais uma vez, usa a sua herança de sindicalista para bloquear e desmoralizar a luta dos trabalhadores contra os abusos das empresas e dos patrões. Ora, por que será que os funcionários da Caixa entraram em greve? Por que eles queriam férias? Certamente não! Assim como em outras categorias, que já entraram em greve em 2010, os trabalhadores reivindicam os direitos mínimos de todo o trabalhador: salário e emprego!
Situação semelhante ocorreu na Universidade de São Paulo, onde trabalhadores estão em greve há mais de um mês. A reitoria, que são os patrões, se nega a negociar e no fim do mês cortou o salário de todos os grevistas.
No dia 1º de junho, Lula voltou à planta da Volkswagen em São Bernardo do Campo para participar do comitê mundial dos trabalhadores da Volks e mais uma vez discursou contra a mobilização dos trabalhadores, além de defender a necessidade de continuidade do seu governo, ou seja, a eleição de Dilma.
Lula ainda defendeu o sindicato, uma das principais entidades da sua base de apoio, como uma organização que defende os trabalhadores, que substituiu a necessidade de mobilizações e greves: Esta meninada não tem que brigar mais do jeito que a gente brigava. Hoje a gente não tem que ficar na porta da fábrica entregando boletim, porque pode colocar na linha de produção, cada um pega o seu boletim sem fazer nenhuma anarquia.
Os trabalhadores que estão dentro das fábricas, sofrendo dia a dia o aumento da produção e da pressão, sabem o que significa o discurso de Lula. Ao lerem o jornal, o único que pode estar na linha de produção, o jornal do sindicato, não encontram a luta contra a exploração das empresas, apenas encontram a defesa de Lula, Dilma e dos acordos que fazem com os patrões.
Um metalúrgico de Santo André afirma: foi a maior decepção, a maior traição. Diz que era metalúrgico mas chegou lá e não faz nada que poderia fazer pro peão. Isso é o que todo mundo fala dentro das fábricas que eu conheço. Depois que Lula virou presidente a gente não pode mais confiar em nada, sindicato só existe e só usa o dinheiro pra fazer campanha e falar bem do presidente. Defender a peãozada é o que essa turma não faz.
Em 2009 e 2010 não foram poucas as reuniões de sindicalistas feitas com um único objetivo: declarar publicamente o apoio à candidatura de Dilma, a sucessora indicada por Lula. No início intensificaram a campanha das 40 horas, o que levou as centrais à imprensa e terminou com um acordo que definia o melhor candidato para cumprir essa proposta: Dilma.
Realizada em 1º de junho, uma terça-feira, a Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) reuniu cerca de 15 mil trabalhadores de todos os estados brasileiros no estádio do Pacaembu, em São Paulo. No evento, organizado pelas centrais sindicais CGTB, CTB, CUT, Força Sindical e Nova Central, foi aprovada a Agenda da Classe Trabalhadora, com propostas e reivindicações do movimento sindical, que será encaminhada aos candidatos à Presidência da República. O apoio a Dilma também foi oficializado.
Esta foi a segunda Conclat. A primeira foi em 1981, na Praia Grande, litoral de São Paulo, e defendia a redemocratização. Para o metalúrgico Bruno César da Silva, a convocação da conferência depois de 29 anos tem a ver com a campanha da candidata Dilma: Toda hora falam o nome dela aí. Tão falando mais dela do que de nós, disse. Para ele, as centrais incentivam a eleição de Dilma: para que ela continue a luta do Lula.
Aqui eu quase não vi os metalúrgicos da minha região [São Bernardo do Campo]. O povo deixa de vir porque tem medo de faltar e perder o emprego. E pra mim ninguém nunca fez nada. Eu só vesti essa blusa porque me pediram. Na verdade, o sindicato só enrola. E eu não me associaria também porque não tenho nem como pagar. Estou desempregada, é o que diz a ex-metalúrgica Anadir de Oliveira.
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