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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #112

BANCÁRIOS

Entrevista sobre o Congresso dos trabalhadores do Banco do Brasil

Conselho de Redação

28/06/2010

Depois das eleições de delegados a partir de assembléias esvaziadas, mal convocadas e não representativas de qualquer discussão concreta entre os bancários, os 300 delegados eleitos ao Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil se reuniram no final do mês de maio no Novotel Jaraguá, em São Paulo, para decidir os rumos da campanha salarial da categoria neste ano. OCorneta conversou com um dos delegados representante de São Paulo.

OC – Como foi o congresso?

O congresso tratou de apoio à Dilma,... apoio à Dilma, e...  Ah! e apoio à Dilma também.

OC – Por que eles conseguiram aprovar o apoio a Dilma?

A CUT usava o medo do BB ser privatizado com a vitória do Serra. Demissões e suicídios na época do FHC foram usados como defesa da candidatura Dilma.

OC - Como se deu essa votação? Houve tempo para argumentação de todos os lados?

Houve, mas a articulação bancária, campo majoritário da CUT, vencia todas as votações. Inclusive a que tratava da reposição de perdas salariais do Governo tucano. Eles eram a favor, agora são contra. A prioridade para a CUT é lutar pelo piso do DIEESE, + ou - R$ 2.100.00.

A direção do movimento sindical está muito distante da realidade da base, de metas e salários baixos. Só interessada em benefícios pessoais.

OC - Nesta questão rolou uma indignação geral? Ou alguns delegados independentes também penderam para o lado da CUT/PT?

Rolou. Você votava e depois fazia a defesa de voto. Não penderam, alguns delegados independentes batiam forte contra as teses da CUT.

OC - Enxerga alguma possibilidade de aquele espaço em algum momento servir, de fato, para organizar a luta e defender as reivindicações dos bancários? No limite - salário, emprego e melhores condições de trabalho.

Sim, de conhecer colegas de várias cidades, que estão na luta igual nós. De trocar experiências e unificar os esforços. Mas se depender da burocracia sindical, neste ano eleitoral, não sai nada...

OC -  Alguma possível resposta real dos trabalhadores da base a toda essa política degenerada não viria antes, por fora de tudo isso, talvez pelas próprias assembléias da categoria?

A maioria das pessoas não acreditam no sindicato. Poucas vão as assembleias. O que o BB as oferecem é melhor que as demandas que o sindicato reinvidica. Acham que individuamente farão as suas carreiras no BB. Minha dúvida é: como motivar os colegas a participarem mais coletivamente?