MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #113

OBRA DO PAC – RONDÔNIA

Trabalhadores voltam ao trabalho depois de duas semanas em greve

Maria Galvão

04/07/2010

A radicalidade do movimento dos trabalhadores que constroem a hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), terminou com a promessa de negociação durante 20 dias, a antecipação da data-base de setembro para julho e a retirada de policiais a paisana dos alojamentos. A assembléia que encerrou a greve, com proposta do sindicato, tinha a presença de 5 mil trabalhadores do turno da manhã. O movimento atingiu todos os operários da obra, cerca de 13 mil, e ganhou apoio dos trabalhadores que constroem a usina hidrelétrica de Jirau, também em Rondônia.

Os trabalhadores reclamam que não possuem segurança alguma para trabalhar. Em junho, a queda de materiais de um guindaste acabou matando companheiros. O desastre anunciado motivou o confronto com os chefes da obra. Depois disso, 30 ônibus da empresa foram queimados e a radicalidade só aumentou. Com adesão em massa dos 12 mil trabalhadores, as obras ficaram paradas por quase duas semanas. Patrões e sindicato (ligado a CUT) ficaram sem saber o que fazer.

A hidrelétrica é mais uma das obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e é administrada pelo consórcio Santo Antônio Energia, do qual fazem parte empresas conhecidas pelos conluios e corrupções com dinheiro público: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Furnas e Santander.

As empresas impõem penosas condições de vida e de trabalho para o peão. Segundo eles, os alojamentos são muito quentes e sem ventilação. A comida, de péssima qualidade, quase não dá pra repor as energias consumidas no dia de trabalho. O salário é de fome: apenas 900 reais pro pedreiro; quem é ajudante recebe, em média, 600 reais. A imposição do serviço aos sábados torna o trabalho ainda mais estafante.

Existe disposição por parte dos trabalhadores de conquistar todas as melhorias listadas na pauta de reivindicações. O sindicato, da CUT, admitiu que não consegue controlar o ânimo do movimento. “O consórcio agora chama o sindicato para apagar o fogo”, conta o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil do estado (Sticcero), Altair Donizete. Em 20 dias nova proposta será apresentada, se for necessário os trabalhadores da Santo Antonio já mostraram disposição de parar novamente as obras. Adiante nas lutas!