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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #114

TRAIÇÃO DO SINDICATO

Greve dos trabalhadores da Vale no Canadá termina com acordo rebaixado

Conselho de Redação

11/07/2010

 

Faltando uma semana para atingir a marca de um ano, a greve dos trabalhadores da mina de níquel e cobre em Sudbury, na cidade de Ontário, no Canadá, deve chegar ao fim. Na última segunda-feira (05), a gerência da Vale e o sindicato canadense United Steelworkers chegaram a um acordo que aumenta o valor da hora trabalhada e muda o cálculo dos bônus recebidos.
A greve na mina começou depois que a Vale, ao incorporar a companhia Inco, anunciou que alteraria os termos do contrato coletivo, reduzindo os custos com planos de aposentadoria e aprovando mudanças no bônus, que atualmente são atrelados ao preço mundial do níquel. A Vale anunciou que os cortes eram necessários para manter a lucratividade da empresa, e que eram uma resposta ao fim do ciclo de altas no preço do níquel, que registrava quedas desde 2008.
Para os trabalhadores, as medidas da Vale significariam cortes bruscos em seu nível de vida. E justo no momento em que a mina mais faturava, batendo recordes de US$ 4,1 bilhões somente nos dois primeiros anos de operação da empresa de Ontário. A contraposição de interesses levou a um clima de tensão na unidade, e inflamou o movimento dos trabalhadores na principal disputa com a fábrica desde o início de sua exploração no século XIX.
Foi com a certeza de não querer rebaixar suas condições de vida que os 3.100 trabalhadores da mina partiram para greve em julho de 2009: “Quando o preço do níquel está baixo não recebemos bônus algum, e quando ele sobe temos o prêmio associado a ele. Aceitamos um salário base mais baixo por causa disso. E agora eles querem mudar o bônus significativamente”, conta o sindicalista.
Para impedir a paralisação da unidade de Sudbury, responsável por 10% do faturamento mundial da companhia, a chefia da Vale preparou trabalhadores temporários, que mantiveram a mina em funcionamento. Os trabalhadores reagiram e o linchamento dos “fura-greves” foi comum durante os quase doze meses. A situação também já não andava bem para o próprio Sindicato, que ficou viajando pelo mundo para difundir o que chamaram de "novo sindicalismo”.
Foram nove rodadas de negociação sem avanços. A vida dos mais de 3 mil trabalhadores durante quase um ano foi manter-se firme nos piquetes na porta das fábricas. Parte dos salários foi mantido por meio de um fundo de greve, insuficiente, fazendo com que muitos trabalhadores fizessem “bicos” para manter a família.
Com o fim da greve, tudo indica que o movimento ainda será repreendido pela companhia, que já demitiu pelo menos nove trabalhadores em razão da paralisação. A empresa já avisa: Todos têm que entender que só porque há uma greve não significa que as pessoas não serão responsabilizadas por seus atos. Há várias pessoas que danificaram propriedade privada, bloquearam acessos, ameaçaram outras pessoas, tudo desafiando uma ordem judicial que definiu muito bem o que era aceitável dos grevistas.