No dia 5 de julho a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) oficializou o apoio a Dilma Rousseff, candidata do PT para a Presidência da República. Intitulada “A CTB tem lado!”, a resolução aprovada pela Direção da CTB afirma que a disputa entre Dilma (PT) e Serra (PSDB) nestas eleições expressaria a luta entre dois projetos de governo.
A realidade, no entanto, contradiz essa afirmação da CTB. Como vem sendo noticiado pela grande imprensa, os dois candidatos têm encontrado enormes dificuldades para diferenciar seus programas. Prova disso é que Serra afirmou, recentemente, que não é contrário ao Programa Bolsa Família, mas que pretende aprofundá-lo, caso seja eleito. Sabe-se que esse programa foi o carro- chefe do Governo Lula, mas que já era, quando Lula assumiu o primeiro mandato, uma continuidade do programa do governo FHC. Ou seja, tanto Serra quanto Dilma representam uma continuidade não só de Lula, como também de FHC, assim como de Itamar Franco, de Collor, e de Sarney. Portanto, ao contrário do que afirma a CTB, a disputa entre Serra e Dilma representa uma continuidade de mais de 25 anos.
Mas a CTB não é a única Central Sindical que defende estas posições. Na verdade, a resolução da CTB cumpre as recomendações da 2ª Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) realizada em São Paulo em 1º de julho, encontro que, além da CTB, contou com a presença de várias Centrais Sindicais, como a CUT, a Força Sindical, a CGTB e a NCST.
A 2ª Conclat publicou um manifesto que ficou conhecido como Agenda da classe trabalhadora. A Agenda tentava encobrir o óbvio: a subordinação completa das diversas Centrais aos interesses do Governo Federal, subordinação que já vem sendo denunciada há algum tempo pela grande imprensa.
Uma dessas denúncias refere-se às vultosas doações realizadas por empresas estatais a diversas Centrais Sindicais. De acordo com o site O Globo, “as cinco maiores empresas estatais doaram juntas, entre os anos de 2006 e 2010, cerca de R$ 7,4 milhões para as Centrais Sindicais somente para a realização das festas do 1º de Maio no Estado de São Paulo”. Ainda segundo o site, “as maiores beneficiadas pelos patrocínios provenientes dos cofres públicos foram a CUT e a Força Sindical, além de UGT e CGT.”
A maior patrocinadora das Centrais é a Petrobras, que investiu o valor R$ 3,5 milhões nesses cinco anos, seguida pela Caixa Econômica Federal (R$ 2,86 milhões), pelo Banco do Brasil (R$ 512 mil), pela Eletrobrás (R$ 300 mil) e, finalmente, pelo BNDES (R$ 150 mil). Em 2010, o volume de recursos doados aumentou ainda mais. Somente nesses primeiros meses, as doações atingiram um montante de R$ 1,87 milhão.
A relação nebulosa entre estas Centrais Sindicais e o Governo Federal contribui para transformar as “festas” do 1º de maio promovidas por essas Centrais em verdadeiros palanques eleitorais dos candidatos apoiados pelo governo. Durante os eventos desse ano realizado em São Paulo, Lula e Dilma Rousseff apareceram como as principais estrelas, fato que gerou, como se sabe, ações no Tribunal Superior Eleitoral contra Lula, que o acusaram de estar antecipando a campanha eleitoral.
Enquanto os trabalhadores tiverem a sua frente representantes comprometidos com os governos e com partidos burgueses, será muito difícil até mesmo manter suas condições de vida atuais. É fundamental que os trabalhadores se libertem dessas direções que bloqueiam as suas lutas, desses entraves que têm imposto a eles, há décadas, somente derrotas e mais derrotas. É fundamental que a classe trabalhadora se levante de novo, como fez em várias ocasiões históricas, como nas greves do final da década de 70. Mas é fundamental que dessa vez, já tendo passado pela experiência do PT, da CUT e de todas essas Centrais Sindicais comprometidas com interesses pouco claros, os trabalhadores criem e desenvolvam organizações independentes que contribuam para libertá-los definitivamente do jugo do capital.
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