Trabalhadores do Tribunal de Justiça paulista foram reprimidos com bombas, spray de pimenta e cassetetes no dia 7 de julho, depois de uma assembléia que decidiu pela continuidade da greve da categoria (até o fechamento desta edição, os companheiros estavam em greve havia mais de 80 dias). Em relato a'O Corneta, um trabalhador conta como foi a repressão da Polícia Militar aos servidores:
“Naquele dia tinha bastante policiamento na praça João Mendes. Tinha o pessoal da Tropa de Choque e da Força Tática. Nós temos certeza de que já havia a ordem para a repressão. O (desembargador) Antônio Carlos Viana, que é o atual presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, já havia dado declarações de que o confronto era inevitável.
Eu não presenciei o estopim da repressão, mas qualquer coisa ali era motivo. Eu só senti o cheiro da pimenta, mas teve agressões físicas violentas. Os policiais foram pra cima mesmo, os tiros de borracha foram disparados em direção à multidão para dispersar mesmo. Eu não vi ninguém pegando pedras e pau, como alegaram. O que eu presenciei foi troca de tapas e socos na defensiva, e vi colegas de serviço machucados por bala na barriga, na perna, no braço.
Estão alegando que nosso movimento é para atrapalhar eleições, o que é uma inverdade. Os dias parados já estão sendo descontados. O presidente do TJ não fala diretamente com nenhuma liderança. O movimento enfraquece com os descontos, mas a própria situação de descaso com o setor gera uma revolta entre os servidores. Então, se enfraquece num local, fortalece em outro, pois se volta ao trabalho dois de um lugar, outros dois saem de outro. É uma tática de revezamento para anular os descontos e a repressão”.
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