Na sexta greve geral convocada pelos sindicatos gregos, mais de 20 mil trabalhadores ocuparam as ruas de Atenas e pararam o país no dia 17 de julho. O protesto era contra as medidas de austeridade anunciadas pelo governo. Entretanto, no mesmo dia, mais uma lei contra os trabalhadores foi aprovada pelos parlamentares, desta vez determinando o aumento da idade de aposentadoria de 61,4 para 63,5 anos.
Pela nova lei, os gregos que se aposentarem antes dos 60 anos irão acumular perdas nos benefícios. A listagem das profissões consideradas “pesadas”, que favorecem a aposentadoria precoce, também foi reduzida. As mulheres que antes podiam se aposentar aos 50 anos, agora terão que trabalhar até os 65. Também foi determinada a diminuição dos pisos salariais e da estabilidade de emprego.
As leis cumprem o acordo do governo do primeiro-ministro Papandreou com a União Européia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Papandreou tem que diminuir até 2014 o “rombo” que se abriu na balança do país, reduzindo a dívida pública da atual marca de 13,6% para menos de 3% do produto interno bruto.
A burocracia sindical tem facilitado a aprovação dessas leis. As greves constantes são boicotadas pela Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos (GSEE) e pela Confederação dos Servidores Públicos (ADEDY). As lideranças desses mesmos sindicatos apoiaram a eleição do atual governo em outubro do ano passado, quando este já se articulava para cortar os benefícios dos trabalhadores na tentativa de sair da crise.
Segundo o jornal ateniense To Vima, o governo conta com o apoio de apenas 23,4% da população. As pesquisas também indicam que os trabalhadores devem continuar resistindo, o que abre caminho para a superação do sindicalismo pelego pela base.