MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #116

CAMPANHA SALARIAL

O que esperar da campanha salarial deste ano?

Conselho de Redação

25/07/2010

 

Mais cedo que o normal, a campanha salarial deste ano já começou com  os sindicatos metalúrgicos e as centrais sindicais entregando as pautas e abrindo as negociações. Eles já avisaram, este ano a negociação terá que acabar mais cedo. Neste ano nossa pauta é enxuta. Negociaremos apenas as cláusulas salariais e conseguiremos o compromisso do G3 de concluir as negociações até segunda quinzena de agosto., é o que afirma Buda, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ligado à CUT.
Com as eleições presidenciais à vista, uma das grandes preocupações da campanha é não atrapalhar a candidata que eles apóiam, Dilma Roussef. O que eles não dizem é como essa pressa será repassada para o bolso do trabalhador.
O grande otimismo dos sindicalistas fica por conta da boa expectativa na economia, divulgada por Lula e pela imprensa. Mas até quando vai durar esse otimismo?
Na última semana, dados referentes a maio e junho já desmentem o que seria o crescimento chinês do Brasil e começam a levar o otimismo dos sindicalistas por água abaixo. A produção brasileira  dá sinais de que vai entrar em desaceleração. E o que isso tem a ver com campanha salarial?
Ora, os índices de reajuste negociados com as empresas estão baseados na inflação do último período. Esse período, quando a campanha eleitoral já era um fator importante, foi caracterizado por inflação relativamente baixa e grande aumento na produção, às custas das horas extras dos trabalhadores.
Passadas as eleições, ou antes mesmo, podemos ter uma virada nessa situação, aparentemente estável, como já indicam os últimos estudos econômicos. Essa virada pode implicar no aumento dos custos de vida dos trabalhadores. Assim, os índices de reajuste, considerando o chamado “aumento real”, podem se tornar ínfimos diante de novas condições econômicas.
Qual seria  a reivindicação que poderia, então, garantir os nossos salários? Reajuste automático dos salários, a cada mês, conforme a inflação, a chamada escala móvel de salários. Ao invés de recuperar o que passou, precisamos garantir o futuro, o que virá.
Mas, como lutar pelo salário se a preocupação maior dos sindicatos são as eleições?
A FARSA DA UNIFICAÇÃO
A Força Sindical anuncia uma grande novidade para 2010: a unificação de todas as categorias e sindicatos que tem data-base no segundo semestre de 2010. A CUT, através da FEM-CUT (Federação Estadual dos Metalúrgicos), já faz a “campanha unificada” há algum tempo. E o que os trabalhadores ganham com essas unificações?
A idéia é unir nossas forças porque temos condições de buscar um bom reajuste e também de melhorar direitos para todas as categorias envolvidas, diz um dos sindicalistas da Força.
Fábricas diferentes, categorias diferentes, quando unidas, sem dúvida, têm mais força. Mas, a questão central, que não é dita pelos sindicatos, é como se faz essa união. Quanto mais sindicatos envolvidos, maior é a distância das negociações do chão da fábrica.O que poderia ser uma força na luta se torna um bloqueio para as revoltas que podem surgir em cada fábrica, ainda que de forma localizada. Em 2009, tivemos alguns exemplos dessas revoltas; a greve na Cinpal, contra a proposta do sindicato (Força Sindical); a greve dos metalúrgicos em Taubaté, também contra a proposta do sindicato (CUT); além de outras greves no país.
A unificação das lutas não pode ser negada. Mas ela tem que partir do chão da fábrica! Somente os metalúrgicos, que estão na produção, submetidos às jornadas extenuantes e ao rebaixamento dos salários, sabem qual é o melhor caminho da luta, sabem quais são as suas próprias necessidades. As farsas das negociações de cúpula não são capazes de responder às necessidades dos trabalhadores!

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