Trabalhadores da construção civil cruzaram os braços em Santos (SP), Londrina (PR) e em São Gonçalo do Amarante (CE) no mês de agosto. Em comum, a insatisfação com os baixos salários e as péssimas condições de trabalho nos canteiros de obra.
Os movimentos aconteceram nas empreiteiras da Usiminas no litoral paulista, no maior canteiro de obras do programa Minha Casa, Minha Vida no Paraná e na termelétrica de Pecém no Ceará. As greves impressionaram pela força demonstrada, com a paralisação de 3.000 trabalhadores em Santos, 3.000 em São Gonçalo e 1.200 em Londrina. Eles ainda reclamavam direitos básicos como alimentação, alojamento e transporte de qualidade.
Em Londrina, os grevistas travaram a luta contra as empreiteiras Artenge, Protenge e Terra Nova. Eles aceitaram a oferta de reajuste salarial de 13% e o aumento no vale alimentação. Um funcionário do sindicato irá acompanhar o dia-a-dia dos trabalhadores no canteiro de obras. Suspeita-se que ele tentará controlar a revolta dos peões contra as empresas. As empreiteiras ainda prometeram resolver problemas de uniformes, transporte e equipamentos de segurança.
Até o fechamento desta edição, a greve continuava na Usiminas e na termelétrica de Pecém. No Ceará, os trabalhadores alegam que não confiam mais nas promessas dos patrões. Eles entraram em greve pela segunda vez neste ano porque o consórcio deixou de cumprir um acordo feito em abril com a categoria. Assim como em Londrina, a obra de Pecém também pertence ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal – e é administrada pelas empresas Energias do Brasil, do grupo português EDP, e pela brasileira MPX, do empresário Eike Batista.
Já a greve da Usiminas completou duas semanas no dia 13 de agosto, apesar do assedio moral para encerrar o movimento. Mesmo diante das ameaças de demissão, quem estava na greve não se intimidou. Centenas de denúncias de assedio foram registradas ao Sindicato.
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