Depois do sindicato, assim como na CINPAL, ter aparecido com proposta de R$4.000,00 e depois ele mesmo ter sumido com ela, depois de 68% da fábrica ter decidido em urna por PLR igual para todos, depois de esperar pacientemente a troca da diretoria da empresa pra retomar as negociações, depois de serem desrespeitados por nota da empresa, a peãozada da Meritor estava mais que pronta para a luta. Mas essa alternativa não foi oferecida! Só foi oferecido confusão e manobra. Um companheiro disse: “trouxeram até economista para fazer as enrolações das contas e quanto mais conta faz, mais enrolam os trabalhadores”.
Nas duas assembléias sobre o assunto, a única votação foi em que dia começar mais uma votação em urna! Sem alternativa, sobrou pra peãozada escolher na urna entre duas propostas, onde nenhuma das duas é exatamente o que queriam. "Acho que estamos sendo manipulados", era o que dizia um companheiro.
A escolha era: 1. manter o plano corporativo, garantindo um mínimo de 2000 para todos, mais um adicional desigual de acordo com o salário de cada um; ou 2. arriscar tudo numa PLR igual para todos, que repartirá igualmente entre todos trabalhadores até 10% dos lucros da empresa de acordo com a porcentagem atingida nas metas de produção, vendas, segurança etc., metas estas sempre inalcançáveis.
No final a recusa ao plano corporativo não ficou ruim para a empresa, uma vez que os peões vão ter que se matar e pressionar uns aos outros para aceitar a intensidade de trabalho e as horas extras, numa busca inatingível pelas metas. Outro companheiro diz: “as metas saem totalmente do nosso alcance, as metas de segurança por exemplo, ninguém se acidenta porque quer, mas justamente pela intensidade de trabalho. Nunca em nenhuma empresa que eu trabalhei vi essas metas serem cumpridas”.
Pode parecer um avanço acabar com as diferenças de PLR entre os próprios trabalhadores, mas a desigualdade fundamental entre o patrão e o peão continua. Ou seja, pode, por exemplo, ser atingido 40% das metas, e assim será divido entre 1000 trabalhadores apenas 4% do lucro da empresa, enquanto 96% continuarão com o patrão. Por que precisar de metas para dividir o lucro entre os únicos responsáveis pela sua produção? Na assembléia falaram que isso é política de distribuição de renda. Mas se o que vamos receber são migalhas do bolo que fizemos, ainda que migalhas proporcionais ao tamanho do bolo, a festa não continua sendo do patrão?
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