MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #120

ÁFRICA DO SUL

Metalúrgicos entram em greve geral contra a crise

Magá

22/08/2010
30 mil metalúrgicos estão em greve geral na África do Sul. A greve atinge todas as montadoras que operam no país, incluindo Ford, GM, Toyota, Volkswagen, BMW, Nissan e Mercedes Benz. Os metalúrgicos estão parados desde o dia 12/08, reivindicando 15% de aumento salarial, os mesmos contratos para funcionários novos e antigos, contratação dos temporários e aumento de 100% para quem teve o salário reduzido em dois terços.
Com a greve, mais de 15 mil veículos já deixaram de ser feitos, segundo nota da Organização de Fabricantes Automóveis (AMEO), do dia 19/08. As montadores oferecem 7% de reajuste nos salários para os trabalhadores voltarem, menos da metade dos 15% exigidos.
Nada mais justo que os trabalhadores reivindiquem o que perderam de salário e de direitos depois que a crise econômica se abateu sobre a África do Sul e causou estragos. As montadoras do país, responsáveis pela produção anual de 400 mil veículos, sentiram o impacto da diminuição da venda de unidades e reduziram a produção. Os metalúrgicos, que nada tinham a ver com as causas da crise, tiveram a carga de trabalho reduzida e passaram a receber apenas dois terços do salário. Até hoje, muitos têm que viver com apenas isso. O governo, para ajudar as empresas, financia 70% dos salários.
A regulação dos contratos de trabalho dos metalúrgicos foi feita em 2007, e tinha validade até 2010, mas não previu a crise. Os salários se rebaixaram ainda mais quando a inflação estourou. No início de 2010, a inflação ainda estava 6,4%, acima dos 6% consideráveis aceitáveis pelo Reserve Bank, banco central do país. Mesmo passando por privações, os Sindicatos fizeram os trabalhadores esperarem por três anos para negociar novos contratos coletivos e, só neste ano, os “representantes” dos trabalhadores convocaram as empresas para uma nova negociação em junho. Os trabalhadores ainda tiveram que esperar por mais dois meses por uma negociação que não deu em nada.
A moral do governo de Jacob Zuma também anda mal com os sul-africanos, pois o presidente praticamente não conseguiu cumprir suas promessas de candidato. Nesta última semana, ele enfrentou uma greve de mais de 1 milhão de trabalhadores do setor público que parou o país, sendo sentida fortemente na área da saúde e da educação. Na pauta, também está o reajuste nos salários em 8% e auxílio à moradia, mas o governo se nega a dar, alegando que não tem orçamento pra isso.
Mais uma vez, vemos o comprometimento com as empresas e com a garantia dos seus lucros. Quando o governo de Jacob Zuma se endividou com a crise dos capitalistas, sabia que teria conseqüências. E ele agora tenta reduzir o déficit fiscal em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), por isso se nega a conceder salários mais justos aos trabalhadores do seu país.